Compromissos com o Meio Ambiente

O Rio de Janeiro está ligado, inapelavelmente, ao seu mar. Ninguém concebe o Rio sem as paisagens proporcionadas pela Baía de Guanabara, pelas suas praias, pelo espetáculo das pontas e morros de pedra emoldurados pela ondulação marinha, as ilhas ao longe. O Rio é, em grande parte, o seu mar tanto quanto suas montanhas verdejantes e sua área urbana.Where islands are born - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

 

Tanto o carioca como o visitante, porém não se dão conta normalmente do inestimável patrimônio que o Mar do Rio oferece para além da praia, nem da gravidade das ameaças que o vêm afetando seriamente em anos recentes. Isso tem muito a ver com o descaso do Município em fazer sua parte para a valorização desse patrimônio, seu uso sustentável para gerar mais emprego e renda para o Rio, e sua defesa ativa naquilo em que o Poder Público Municipal pode e deve atuar.

http://news.bbc.co.uk/olmedia/595000/images/_598453_sewage300.jpgPrimeiramente, o Município precisa urgentemente reforçar os investimentos em saneamento básico. É inacreditável que uma cidade tão dependente do turismo continue usando seu mar como latrina e depósito de lixo de maneira tão escandalosa, e sem prazo para deixar de fazê-lo. A Baía de Guanabara, que está quase morta, infelizmente não depende só de nós, mas de toda uma gama de Municípios; mesmo assim, o Rio tem a obrigação de liderar a aceleração dos processos de despoluição e a pressão sobre o Estado e a União para que concorram com sua parcela justa dos recursos que necessitamos para tanto. Quanto aos nossos próprios emissários submarinos, é hora de repenar essa solução tacanha de apenas diluir nossa sujeira sem tratá-la adequadamente ao mais alto grau possível. Ao tratar o Mar do Rio como esgoto, estamos sujando a nós mesmos todos os dias. Vou fiscalizar e penalizar toda ligação clandestina, principalmente as de condomínios particulares e comerciais da Zona Oeste, que tem poluído sem punição o complexo lagunar da região.

Em segundo lugar, é preciso assumir uma postura de gestão efetiva do Município sobre copacabana beach outskirts of the metropolis Copacabana Beach Resort in Rio de Janeiro, Brazilnossos territórios costeiros e marinhos. Ainda que seu domínio seja da União, o peculiar interesse do Município e o direito constitucional a atuar de maneira concorrente nos temas ambientais nos credenciam a atuar diretamente em temas de conservação costeira e marinhas. É assim que devemos fazer uma reavaliação da ocupação de nossas praias e áreas adjacentes, visando promover nelas a recuperação ambiental, replicando onde possível o trabalho iniciado em alguns locais de replantio de “ilhas” de vegetação nativa, recuperando espécies da flora ameaçada e provendo abrigo e alimento para a fauna silvestre que adorna nossa cidade, bem como, com plena participação dos usuários e da sociedade, adequar e modernizar os usos comerciais e de lazer já consagrados a modelos mais sustentáveis tanto em termos de uso do solo como de consumo de água e energia.

 O Município do Rio de Janeiro também pode e deve criar espaços costeiros e marinhos especialmente protegidos, para conservação da biodiversidade E desfrute educativo e turístico. Precisamos definir prioridades de conservação e de gestão turística desses ambientes e iniciar um processo de criação de Parques Municipais Marinhos, como já fazem diversos outros municípios costeiros no país. Nossos costões rochosos e as ilhas e entornos marinhos de arquipélagos como Cagarras e Tijucas podem e devem receber a proteção da autoridade municipal.

Para que haja um entendimento da cidadania e dos visitantes em relação a este inestimável patrimônio, é preciso que o Município aproveite todos os espaços de educação formal e informal para valorizá-lo e interpretá-lo. É assim que o Rio de Janeiro pode, através de programas específicos, fazer com que as pessoas conheçam adequadamente nosso patrimônio marinho e compreendam a necessidade de preservá-lo. Nas escolas municipais, a inclusão da temática marinha nos currículos pertinentes; nos espaços públicos costeiros, como os postos de salva-vidas, a implantação de estruturas de sensibilização audiovisual sobre nosso mar e seus habitantes são apenas algumas dentre muitas medidas eficazes, baratas e factíveis para impulsionar essa mudança de mentalidade essencial para conservarmos e usufruirmos adequadamente do Mar do Rio.

Olhando para o conjunto das atividades de turismo no Rio de Janeiro, é forçoso reconhecer que estamos deixando de lado o aproveitamento de um dos segmentos dessa vital atividade econômica que mais cresce no mundo, que é o ecoturismo. Ainda que haja ampla visitação breve dos ambientes naturais ainda existentes no Município, não temos qualquer programa municipal para incentivar e apoiar a consolidação do Rio de Janeiro não apenas como destino cênico, mas também de observação e valorização de nossa fauna e flora ímpares. Isso é tão mais importante na medida em que nos damos conta de que o turista especializado em observação de Natureza gasta habitualmente no destino muito mais do que o turista convencional, gerando mais emprego e renda graças ao patrimônio natural preservado, e gerando também mais incentivo para esta preservação.

Esse incentivo que o Município deveria dar está intimamente ligado a dois fatores fundamentais: preservar nossas florestas e áreas naturais remanescentes, para permitir o acesso fácil dos visitantes às mesmas sem terem de deixar o território municipal, e capacitar pessoas das comunidades do Rio para atuarem como guias/condutores de Ecoturismo. Muitos dos turistas, principalmente estrangeiros, interessados em Natureza exigem a companhia de guias locais com conhecimento dos ambientes e espécies visitados. Um programa municipal de capacitação e apoio profissional para jovens das comunidades do Rio pode ser implementado em parceria com o trade turístico como forma de consolidar nosso Município como destino de Ecoturismo de qualidade.

Obviamente, para isso é necessário que o Município faça mais pela preservação do que ainda temos de patrimônio natural. Fazer com que a autoridade municipal atue de maneira mais permanente e eficaz no cumprimento das normas legais de proteção à Natureza; implementar medidas de adensamento, manutenção e reposição adequada da arborização urbana com espécies nativas, reforçando a capacidade do Município de manter fauna de interesse para o visitante ambientalmente consciente; e articular ações de gestão ambiental com os municípios vizinhos e outros níveis de governo são ações que precisam urgentemente ser incentivadas para salvaguardar os interesses ambientais E ECONÔMICOS do Rio de Janeiro no tocante ao seu patrimônio natural.

Para tudo isso, independentemente de Leis e políticas públicas, é compromisso a criação da Coordenação de Defesa Ambiental e das Águas – Formada por experts em questões relacionadas a águas doces e oceanos, essa coordenação terá a responsabilidade de fiscalizar, e acompanhar nossos rios, lagos, lagoas e faixa costeira. O combate a pesca predatória e a destruição do ambiente aquático e de seus seres será a tônica das ações.

 

 

 

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