O caso dos Cães da UFRJ: Não é bem assim…

Então pessoal,

Está rolando na mídia e nas redes sociais o caso de matilhas de cães que, “SUPOSTAMENTE” estariam atacando alunos do Campus Fundão da UFRJ.

Segundo informações que coletei, esses cães não apareceram de uma hora para a outra. Cães na UFRJ são conhecidos ha mais de 20 anos e são, em sua maioria, fruto do abandono na área (extremamente deserta à noite) e gerações advindas também dos primeiros cães dessa área, já que não são castrados.

Fala-se sobre “possíveis” cães famintos, com sede e doentes. Isso não é uma realidade. A verdade é que se tratam de cães ditos “comunitários”, segundo a própria Lei Municipal nº 4.956 que, em seu texto, caracteriza como animais comunitários:

Art. 1° Fica considerado como animal comunitário aquele que, apesar de não ter proprietário definido e único, estabeleceu com membros da população do local onde vive vínculos de afeto, dependência e manutenção.

Na verdade esse é exatamente o caso desses cães! Eles são cuidados, alimentados e mantidos por alunos residentes do campus que, muitas vezes se prontificam a levá-los a veterinários, alimentá-los e outros procedimentos mais simples.

Segundo ainda infirmações, tratariam-se de várias matilhas, totalizando em torno de 40 cães em todo o Campus da UFRJ.

Então, qual a solução?

Evidentemente que não seria o resgate desses animais, e explico as 2 boas razões que invalidam essa possibilidade:

1- O problema do abandono de animais nas ruas é um problema GEOMÉTRICO. Muitos não sabem mas apenas 1 cadela não esterilizada e seus descendentes podem gerar 67 mil cães num período de apenas 6 anos. Além disso, cães são territorialistas e, com a saída de 1 cão da matilha, logo outro ocupara aquele espaço. Tirar 1 ou 10 cães não resolverá o problema do local.

2- Desconheço um protetor ou grupo que tenha, além de poder financeiro, espaço para abrigar esses 40 cães do local.

A solução mais lógica seria a de esterilizar os cães locais, reforçar a fiscalização local e habilitar esses alunos residentes para ampararem com eficácia esses animais… mas como?

A resposta está na própria Lei, onde se lê:

Art. 3° O animal comunitário deverá ser mantido  no local onde se encontra, sob os cuidados do Órgão Municipal para este fim apontado e cujas atribuições estão relacionadas a seguir;

            I- prestar atendimento médico veterinário gratuito;

            II- realizar esterilização gratuita conforme disposto na  Lei  nº 3.739, de 30 de abril de 2004;

            III- proceder à identificação a ser feita por meio de cadastro renovável anualmente.

E qual seria esse órgão municipal??? Aquele que até o momento não se manifestou é claro! A Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Eles tem os veterinários, o equipamento, a facilidade e mais, a RESPONSABILIDADE por esses animais.

Nesse sentido, além de providências específicas que estarei tomando na segunda feira, no sentido de trazer essa secretaria às suas responsabilidades, estou também solicitando ao Gabinete da Dep. Estadual Aspásia Camargo, do Partido verde, para que oficie esse órgão Municipal, solicitando suas providências no intuito das soluções apresentadas.

Vou dando notícias, mas assim como o problema não apareceu ontem (já existe ha mais de 20 anos) a solução definitiva também demanda tempo. Então, vamos ter parcimônia, atuar dentro da legalidade e do melhor para esses animais.

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