Meu encontro com uma LENDA – Jean-Michel Cousteau

Lá estava eu…

Ha apenas alguns segundos de meu primeiro encontro com um LENDA com a qual convivi de perto (e ao mesmo tempo de longe), separado pelo tubo de vidro do televisor.

Desde que me entendo por gente, assistia maravilhado aos programas de Jacques Cousteau, o maior ambientalista e desbravador das fronteiras do Planeta, fossem elas em terra ou sob as águas doces e salgadas…e sempre acompanhado de sua família, particularmente a Jean-Michel Custeau, seu filho.

Via maravilhado sem entender muito como era possível, pai e filho mergulhando nas profundezas do mar, convivendo por semanas em uma casa submarina, explorando a Amazônia (naquela época bem pouco degradada e praticamente “virgem”), interagindo de forma pacífica com toda a vida animal ainda desconhecida para um meninote como eu com bem menos de 10 anos de idade. Depois veio a adolescência. E com ela o desejo de também conhecer aquele mundo espetacular, um mundo desconhecido, com fantasias que povoavam a mente dos jovens.

E assim foi! Tornei-me um mergulhador. Todo um mundo novo se abriu diante de meus olhos e muito tenho a agradecer a outra lenda do mergulho, Arduino Colasanti, um MESTRE que muito me ensinou e mais, que com seus “bate-papos” descontraídos me ensinou a amar incondicionalmente nossos oceanos. Tinha orgulho de meu primeiro equipamento de mergulho (isso ha mais de 26 anos atrás): Roupa da SeaQuest (subsidiária da US DIVERS de Custeau no Canadá), colete equilibrador “CALYPSO”, Regulador CONSHELF 21 da US DIVERS…máscara, nadadeiras, tudo produzido pelas empresas de Cousteau.

Lembro-me ainda que, logo após me tornar um fanático pelo trabalho da família Cousteau e seu O Mundo Submarino de Jacques Cousteau,  ganhar de meu pai um daqueles conjuntos “de mentirinha” de máscara, cilindros, nadadeiras azuis e faca de plástico laranja, que eram muito vendidos em lojas de brinquedos e papelarias de nosso país e que, atualmente não tenho visto nessas épocas de Play Stations “1000” e tecnologia. E lá fui eu para a piscina, me sentindo o próprio Jacques Cousteau!

Recordo-me também de ter sofrido, tal qual membro da própria família, quando então com apenas 10 anos, recebi a notícia da morte de Philip, filho de Cousteau, durante um acidente idiota, ao pousar o hidroavião Calypso nas águas do Tejo no dia 28 de Junho de 1979. Sofri como quem sofre a perda de um parente próximo e querido. Nada seria mais como era. Mas restava o sofrido Cousteau e sua família incompleta…com o tempo, as coisas foram tomando seu lugar na teia da vida.

Aos 87 anos de vida, em sua casa, morre Jacques Yves Cousteau, aos 25 dias do mês de Julho de 1997…levado do Mundo por um ataque cardíaco, não durante uma aventura, como viveu por mais de 70 anos, mas em sua casa. Nunca mais o Calypso e o Alcyone navegariam da mesma forma, mesmo em minhas lembranças.

Eis que em 1999 surge uma notícia que reavivou meu coração e acredito que de todos os ambientalistas e apaixonados pelos mares, seus habitantes e pelo Meio Ambiente:

Jean-Michel Cousteau filho mais velho de Jacques funda a Ocean Futures Society (OFS), numa continuidade ao formato de trabalho que desenvolveu por toda a vida com seu Pai. Polêmicas à parte sobre a mágoa que teria restado após a morte trágica de Philip, quando Jean-Michel sentiu-se preterido, parecia que tudo havia passado e finalmente existia uma nova oportunidade para salvarmos os oceanos e mais, para continuarmos sonhando, através das lentes de Jean-Michel.

Desde então, e lá se vão  13 anos, voltei a acompanhar o trabalho de Jean-Michel, mais uma vez com aquele sentimento familiar, próximo, como se fosse um membro da própria família. Documentários espetaculares, o amor de Cousteau pelas Orcas e todas as suas aventuras e, particularmente sua característica mais visível de AMBIENTALISTA que a do próprio pai, iniciador de todo esse processo…

E eu lá, de pé na fila, junto com centenas de outros fãs, igual a qualquer um para ganhar meu autógrafo no livro “O REI DOS MARES”, uma biografia de Brad Matsen sobre seu pai, Jacques Cousteau, do qual Jean-Michel participou do prefácio.

Mesmo sabendo que, graças ao projeto Divers for Sharks (do qual participo ativamente desde sua criação) teria um encontro particular com Jean-Michel (conto para vocês no próximo artigo sobre nossa parceria no Brasil), mesmo assim fiz questão de estar na fila de autógrafos, como qualquer outro fã, que é exatamente o que sou. Mas tremia como aquela criança de 10 anos com o “aqua lung” de plástico nas costas…

Fui um dos últimos da fila e, mesmo antes de Jean-Michel saber que me tratava de membro da D4S, seus parceiros no Brasil, olhou para meu crachá e disparou num inglês muito bom (sua língua natal é o francês) um: “Você tem o mesmo nome de meu filho, Fabien…”. Imediatamente comecei gentilmente a falar com Jean-Michel em sua língua natal, o que o deixou muito satisfeito (afinal ele só falava em inglês com todos ha dias) e as poucas pessoas que ainda estavam na fila começaram a ficar sem entender muito, as razões pelas quais engatamos uma conversa, naquele exato momento na fila de autógrafos. Claro que eu fiquei completamente sem graça e, finalmente informei-lhe que teríamos a oportunidade de conversarmos mais em alguns momentos, já que era membro da D4S.

E assim foi… depois desse primeiro encontro espetacular, onde pude ver que meu ídolo de infância era humano, e mais que isso, um humano RARO. Humilde, espirituoso, piadista e muito…muito divertido, chegava finalmente a oportunidade de um bate papo.

Nesse bate papo, antes da foto oficial comigo, Paulo Guilherme Pingüim e José Truda Palazzo Jr, batemos um papo animado, sobre meio ambiente, proteção animal, o projeto de parceria dos EMBAIXADORES DO MEIO AMBIENTE – AOTE entre a Divers for Sharks e a Ocean Futures Society, sobre os projetos dele e mais alguns assuntos… sempre temperados pelos comentários espirituosos de Jean-Michel, que se mostrou em apenas 1 dia, uma LENDA, mas uma LENDA humana, simpática e muito humilde… diferente da grande maioria das celebridades que já pude conhecer.

O melhor de tudo? Ao final, nas despedidas (eu tinha que pegar a estrada para voltar ao RJ), recebi as seguintes palavras ditas ao “pé do ouvido” na sua língua natal:

“Nous allons rencontrer prochainement!”

(tradução: Nos encontraremos novamente em breve!)

***Não perca o próximo artigo, explicando o trabalho de parceria entre a Divers For Sharks e a Ocean Future Society, bem como mais fotos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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