Resgate na Taquara…cães assassinados no meio da Rua

Então pessoal,

Todos vocês devem ter ficado sabendo da história sobre uma mulher que assassinava cães na Taquara, Rio de Janeiro. Essa denúncia rolva na internet ha alguns dias e ontem culminou com uma baita confusão que no final, acabou com alguma vitória.

O dia começou com a amiga querida Janahyna Oliver revoltada, querendo ir até o local para apurar a verdade dos fatos denunciados. Preocupado com a segurança dos animais, apenas recomendei calma e que as coisas fossem feitas de forma discreta. Por experiência sabemos que, quando maltratantes se sentem afrontados, ou os animais desaparecem ou são mais maltratados.

No meio da tarde, recebi uma ligação  informando que a protetora Jessica encontrava-se desesperada no local, já que haviam informações de que a maltratante estaria matando mais animais, além dos 6 mortos na calçada. Populares se aglomeravam no local e a tensão gerda pelo caso estava insuportável. Fui informado que a PMERJ e a Polícia Civil teriam estado no local mas, independente dos corpos dos cães, não teriam intercedido na retirada dos animais que ainda estariam dentro da casa (uma hora se falava em 10, outras em até 30 animais).

Como o caso já tinha tido a presença da Polícia Civil, já estaria numa fase investigativa por essa polícia

momento em que negociava a entrada na residência

judiciária, atando as mãos da grande maioria de ações que poderiam ser tomadas. Assim, indiquei a protetora o comparecimento a 32ª DP, exigindo da autoridade policial que fossem retirados os animais do local de risco.

Por volta das 19:00h comecei a receber diversas ligações de protetores desesperados, visto que nada havia sido feito com relação aos animais que ainda estavam no interior da casa. Me perguntava as razões pelas quais NINGUÉM havia dado voz de prisão a essa senhora, que segundo informações de vizinhos seria doente mental… Algumas pessoas não sabem, mas qualquer cidadão, independente de cargo ou autoridade, tem o DIREITO de dar voz de prisão no caso de um flagrante. Com a maltratante detida, poderíamos pleitear a autoridade policial a guarda dos animais ainda vivos.

Imediatamente liguei para o querido amigo Ricardo Nicodemos, filho do Coronel Delvo Nicodemos que é um amante dos animais, tenente PM e instrutor esporas de ouro do RPMONT-PMERJ. Combinamos de nos encontrarmos no local.

Como estava sem carro, contei com a precisosa carona e apoio da amiga Janahyna que, se despencou de casa na Abolição para me buscar na Ilha do Governador e assim, por volta das 20:40 partimos para o local. Ao mesmo tempo, já na confiança de que iríamos resgatar os animais, mantive contato com a querida Bebel, presidente da SUIPA que, imediatamente nos garantiu a solidariedade, prometendo cuidar com o maior dos carinhos desses animais sofridos. Fica aqui nosso habitual agradecimento a essa guerreira que NUNCA poupa esforços para ajudar os animais.

Chegando a rua 13, no endereço mencionado, o circo estava armado. Centenas de populares, vizinhos e protetores se aglomeravam às portas da residência. A casa tinha um muro baixo, de onde viamos os animais correndo soltos, algumas pessoas no interios (identificamos a maltratante e sua irmã) e logo ao lado da porta, os corpos de 6 cães mutilados, já em estado de decomposição. O cheiro de morte era terrível e empesteva nossas narinas.

Entrada franqueada

Imediatamente começamos a tentar configrar o flagrante. Para tanto eram necessárias testemunhas oculares do ocorrido. Para quem não sabe, só se pode adentrar um domicílio em3 hipoteses: Com o franqueamento do morador, através de mandado judicial ou em flagrante delito. E mesmo com mandado, apenas se pode entrar das 06 AM às 06 PM.

Infelizmente não encontramos testemunhas oculares que pudessem descrever o crime, ou que nos garantissem a confiança necessária para o famoso “pé na porta”…

Diante do impasse tive uma idéia. Chamar a PMERJ (que aliás era necessária, visto a turba que se formava). Com a chegada da viatura e de policiais fardados tínhamos a esperança de que fossemos recebidos pela maltratante… e nesse caso, por experiência, eu sabia que conseguiria uma confissão e mesmo a liberação dos animais ainda vivos.

Esperamos por um bom tempo e a viatura não aparecia. Já eram quase 22h. Nessa hora, recebi a ligação providencial do Cel. Delvo, preocupado com a situação…e foi tudo o que precisavamos. Ele manteve contato com o 18º BPM e, em apenas 5 minutos chegaram 2 viaturas da PM.

Como eu planejava, ao perceber a viatura, finalmente a irmã da maltratante (que temia por sua integridade física) chegou até o muro. Nesse momento, comecei a conversa. Expliquei da gravidade dos fatos, do crime ambiental, montei uma relação de confiança (afinal já fiz isso MUITAS vezes e tenho experiência) e mostrei a ela que, independente de culpa ou inocência, a melhor providência seria a liberação dos animais, através de uma doação solidária. Acho que fomos convincentes, visto que imediatamente ela aceitou a liberação dos quase 20 animais.

Daí me pergunto, por que as autoridades que lá estiveram anteriormente não conseguiram isso?

Adentramos com o franqueamento da moradora à residência eu e um soldado PM (aliás, fica o registro de que a equipe que esteve no local foi extremamente competente e profissional). Imediatamente percebemos as condições sofríveis do local. Fomos conhecer finalmente a maltratante principal. Em uma conversa com a mesma, mesmo não sendo profissionais da saúde, eu e o policial percebemos a condição gritante de debilidade mental da maltratante. Ao ser questionada sobre a morte dos animais, recebemos a seguinte resposta, que reproduzo literalmente aqui:

– É que os vizinhos fazem macumba prá mim. Mandam um fogo que bate em mim e saí, indo bater nos cachorros…daí eles morrem.

Eu perguntei se ela tinha matado os cães, mas ela em momento algum assumiu o ato. Deu a desculpa

Já dentro da casa

da cinomose, de que os cortes eram por brigas dos animis… mas, também não sendo legistas, qualquer um perceberia os cortes feitos a faca e as mutilações nos animais.

Em seguida começamos uma operação de captura dos animais e entrega aos protetores que estavam no local. Foi muito emocionante escutar os gritos de “VIVA” e os aplausos dos populares a cada animal que era passado pelo muro, ou pela porta da residência. Isso mostra como nossa causa tem o apoio dos populares.

Tendo resgatado os animais, comecei um processo de convencio das 2 maltratantes para o comparecimento a delegacia. Sim, isso porque em momento algum a maltratante principal assumiu a agressão aos animais, conforme reproduzido acima. Chegamos a conclusão (eu e o policial) de que seria inutíl levar uma pessoa completamente desequilibrada mentalmente a delegacia. Assim, decidimos levar apenas a co-autorra do crime (a irmã) para ser qualificada.

Terminei a noite na 32ª DP, fazendo um aditamento ao registro feito um dia antes, informando a retirada dos animais e sua guarda na SUIPA.

Infelizmente não temos políticas públicas para animais, as autoridades não se comprometem em casos como esse e para piorar, a Lei é branda nas punições. Mas o mais importante foi que salvamos 16 animais, que certamente não estariam mais vivos a essa hora.

Ficam as ressalvas a equipe da PMERJ que nos prestou todo apoio, ao Tenente Ricardo Nicodemos que sapiu de seu repouso para nos apoiar, a Janaynah por toda a ajuda, ao Jackson que ajudou MUITO com o transporte dos animais e a todas as protetoras que estavam no local (desculpem, mas não consigo lembrar de todas) ou nos telefonaram manifestando seu apoio.

Também o agradecimento especial a SUIPA que recebeu e vai tratar desses animais, assim como comprometeu-se a resgatar os corpos dos mortos e a dar um final d[igno a esses anjos de patas que viraram estrela.

O mais importante é que a sociedade perceba esse problema grave e que tenhamos a senssibilidade de nossas autoridades para modificar as leis, coibindo assim casos como esses.

Fico muito feliz por termos juntos salvo 16 animais, mas sofro pelos 6 mortos e sabe-se quantos mais ao longo desses anos.

(colocarei mais fotos quando a Janaynah enviar, assim como publicaremos em novo post a cópia do R.O)

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