ENCONTRARAM A MULHER MONSTRO DE GOIÁS…SERÁ?

Então pessoal,

 

Todo mundo que estará lendo esse artigo, certamente tomou conhecimento da monstrusidade apresentada ontem através do artigo sobre a suposta mulher de Goiás que, flagrada por uma câmera de celular, chutava, jogava e batia num pequeno cão.

De imediato, um vídeo postado no youtube na data de 14/12/2011 (ou sejam, menos de 24horas de nosso post) que possuia menos de 100 acessos, até a noite de ontem já tinha mais de 30.000 comentários. Só o Atitude Animal teve quase 4.000 visitas num período de menos de 2 horas.

no nosso artigo, solicitávamos que alguém, que pudesse reconhecer a mulher que pratica os crimes, mantivesse contato, mesmo que ANÔNIMO para auxiliar as autoridades a investigar o caso, caminho correto e legal a ser seguido.

Qual não foi nossa surpresa quando, menos de 30 minutos depois, alardeava-se por toda a internet, Twitter, Facebook, Orkut e até por “sinal de fumaça” que a mulher teria sido identificada, com nome, CPF, enderço, telefones, etc…

Mas daí começaram as dúvidas que gostaria de trazer ao conhecimento de todos, funcionando nesse artigo como “advogado do diabo”, na inteção de fazer com que as pessoas pensem, com que manifestem sim sua indignação, mas de forma justa e equilibrada, 2 preceitos fundamentais que pouco tenho encontrado nesse caso.

Logo que os dados da “Suposta Autora do Fato” (SAF) começaram a circular na Internet, chegaram quase que de imediato até mim… minha primeira reação (que durou uns 20 segundos) foi de alívio completo sendo logo substituida por ódio mortal contra essa senhora e mais uma vez, quase imediatamente substituido pela razão…explico:

Sempre que obtemos uma informação vital como nesse caso é importante sabermos as fontes. Sabemos que a internet é cheia de armadilhas, meio que uma terra de ninguém, onde o Google virou nosso maior professor em conjunto com a Wikipedia… tempo modernos! Então meu primeiro questionamento aberto foi: -QUAL A FONTE?

Recebi em quase todos os casos uma resposta unânime, que inclusive passou a circular prefaciando as informações da SAF: -FONTE CONFIRMADA E SEGURA! Mas ninguém sabia informar a tal fonte… sempre que me dava um nome, ao ser procurado a resposta também era unânime, quase ensaiada: – EU APENAS REPASSEI A INFORMAÇÃO QUE EM FOI POSTADA.

Diante desse panorama, como ser pensante, comecei a manifestar essa minha dúvida, normalmente pedindo as pessoas que buscassem a fonte das informações… daí começou outro fenômeno grotesco… O aparecimento de centenas de Sherlock Holmes, Hercules Poirot e Dick Traces na internet… cada um deles AFIRMANDO que a informação era corretíssima, sem erro, checadas e re-checadas… Todos tentando reinvindicar as glórias da descoberta para sí, num exercício egóico que chegava a ser ridículo. E isso gerou outro fenômeno absurdo…

Em menos de 1 hora, tínhamos os dados da SAF espalhados, cartazes estampando seu rosto, petições solicitando “pena máxima” para a assassina e manifestações pessoais de RAIVA, VIOLÊNCIA e até JUSTIÇA a qualque custo… mesmo ao custo de negligenciarmos um dos maiores princípios da Lei, utilizado em esfera MUNDIAL: TODOS SÃO INOCENTES ATÉ QUE SE PROVE A SUA CULPA!

Encontrei entre pessoas com as quais falo diariamente (e algumas que nunca falei) sentimentos mesclados de ódio e passionalidade, como se manifestar esses sentimentos publicamente fosse, ou melhorar seu íntimo, ou resolver qualquer coisa…e pior, dizendo frases como “Que se dane se não for ela, ela que prove que não foi…prá mim foi e pronto…tem cara de assassina mesmo” (como se assassinos tivessem uma marca na testa) e pior, por causa do meu questionamento sobre a veracidade das informações e dos fatos fosse uma confisão de pena pela agressora. Como falta interpretação de texto nos tempos modernos!!! mais uma vez culpa das frases resumidas, do “internetês” que me parece estar emburrecendo aos poucos nossos filhos, geração dos “add”, “tc”, “axo” e outros termos que fazem com que se desaprenda a ler, que dirá a interpretar.

Tudo aquilo que tentei provocar nas pessoas, através de meus textos e explanações nas dezenas de tópicos do Facebook foi… o benefício da DÚVIDA e mais, a oportunidade de não provermos um linchamento cibernético (e tinham alguns até falando em físico) sobre uma pessoa que, aos olhos da Lei e das autoridades, AINDA era um inocente!

Me premita o leitor, lembrá-lo de um caso imblemático: O CASO DA ESCOLA BASE

Continuo com esse texto logo abaixo do texto de José Karam

Ficou conhecido em todo o Brasil – e até mesmo internacionalmente – o caso em que donos e funcionários da Escola Base, em São Paulo, foram acusados de pedofilia. O problema é que a mídia tratou os acusados como culpados, por irresponsabilidade própria e por indução ao erro por parte das autoridades do Estado, responsáveis pelas investigações. A escola foi depredada e fechou. Os danos psicológicos aos acusados são irreversíveis.

Trago este caso para reflexão. Pedofilia tem, sim, de ser denunciada. Mas devemos tomar o cuidado de não tratar um acusado como culpado. Alguém mais além da criança pode ser inocente.

Cinco anos do caso da Escola Base

Francisco José Karam (*)

Em março de 1994, a mídia paulistana denunciou seis pessoas por envolvimento no abuso sexual de crianças alunas da Escola Base, no bairro Aclimação, em São Paulo. Baseou-se em fontes oficiais (polícia e laudos médicos) e em pessoas próximas às crianças (pais de alunos). O fato simplesmente não existiu, mas a mídia, em vários momentos e veículos, exagerou e liquidou projetos profissionais e pessoais dos acusados, todos mais tarde inocentados. Houve um jornal que não entrou na cobertura: o Diário Popular. Por isso, recebeu acusações de estar de “rabo preso” com a escola e os envolvidos e de ocultar informação de interesse público.

Os jornalistas apuraram a denúncia, como deveria ser em quaisquer casos de relevância social. Mas a irresponsabilidade também manifestou-se em coberturas como o do Notícias Populares (“Professor ensinava a transar”); do SBT, onde um comentarista do extinto Aqui Agora chegou a pedir a pena de morte aos acusados, de acordo com reportagem “A sangue frio”, de Roberto Pereira de Souza, na revista Imprensa, setembro de 1994, págs. 20-33); e inúmeros outros veículos, que ampliaram um escândalo sexual que jamais existiu.

Quatro anos e muitas matérias jornalísticas com um envergonhado mea culpa depois, ainda é possível perguntar: os jornalistas são, exclusivamente, os culpados?

A mídia vale-se de fontes, presumindo-se que sejam qualificadas e responsáveis. O jornalista não é um especialista que trata da medicina à sociologia, do direito à perícia técnica. Mas tais áreas manifestam-se por ele, via fontes que ocupam um lugar específico no noticiário (delegado, médico que elabora laudo do IML, advogado etc). Por sua natureza, ritmo e compromisso público, a informação jornalística não deve mesmo esperar interpretações oficiais. Do contrário, ficaria difícil tratar, com isenção, do escândalo do Orçamento, do massacre dos sem-terra ou da prostituição infantil. Mas a imprensa deve, além de investigar com persistência, buscar fontes que coloquem à disposição do público os dados e versões, de forma ágil e massiva, em períodos curtos e em escala planetária.

Os erros da mídia no caso Escola Base foram grandes, e os exageros a que chegaram veículos como o Notícias Populares, Folha da Tarde e SBT merecem reparação moral e indenização financeira. Mas a responsabilidade recai, também, nos pais dos alunos que chamaram a imprensa, no delegado que deu várias entrevistas acusando os donos e professores da escola e na medicina, que errou em pelo menos um dos laudos, comprovando que o exame havia dado resultado “positivo para a prática de atos libidinosos” – como é o caso do laudo datado de 28/3/94, de responsabilidade do Setor de Sexologia do Instituto Médico Legal/Sede, sob o número BO 1827/94, citado na mesma reportagem da revista Imprensa, págs. 26-27.

A mídia deveria esconder isso?

Fontes, muitas vezes, beneficiam-se do processo informativo, seja pelo prestígio que eventualmente gozam, pelo uso particular do espaço público ou pela “plantação” de dados com finalidades particulares. Fontes, em geral, querem se ver positivamente na mídia e, se possível, gostariam de alterar as informações em proveito próprio. Os verdadeiros jornalistas sabem disso.

Erros ocorrem em quaisquer áreas, nos prédios que racham, na medicação equivocada ou no não atendimento hospitalar, na sentença jurídica controversa, na interpretação sociológica ou econômica. O jornalismo, que ocupa mais visivelmente o espaço público, também sofre a ação dos palpiteiros, embora os erros de quaisquer áreas causem tanto prejuízo social quanto os dele. No entanto, é o jornalismo que, na imediaticidade do presente, no ritmo em que se desdobra o cotidiano, pode revelar aquilo que também prejudica as pessoas – seja o assassinato de menores, o benefício secreto recebido por bancos particulares ou as denúncias feitas por fontes autorizadas (pais de vítimas, laudo médico e versão policial), como no caso Escola Base.

O interesse público, revelado pela abrangência e conseqüências sociais de tais fenômenos ou acontecimentos ,está na base da natureza do jornalismo; que lida, por sua essência, com investigação baseada em testemunhos e fontes, pessoais ou documentais.

A ética na informação jornalística não prescinde de um conjunto de fatores, que incluem responsabilidade e competência técnica de variadas fontes em diferentes campos de conhecimento. Estas representam mais que sua individualidade e interesses no cargo e espaço públicos em que atuam. E ao jornalismo cabe checar bem – e sempre – fontes e versões que projetam personalidades obscuras à repentina fama e prestígio.

* Francisco José Karam é professor da Universidade Federal de Santa Catarina e autor do livro Jornalismo, Ética e Liberdade (Summus Editorial, 1997)

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Agora que expus o perigo de “encontrarmos, julgarmos e executarmos” um suspeito, gostaria ainda de tecer algumas considerações:

Apesar de muitos “DETETIVES” terem “descoberto” a identidade da SAF (significa SUPOSTA AUTORA DO FATO e não abreviação de SAFADA), a grande verdade é que essa informação foi PLANTADA no youtube, nos comentários do vídeo em questão.

Queria a atenção dos leitores para alguns pontos a serem analisados sobre a identidade da SAF. Esclareço e manifesto aqui minha opinião pessoal de que não a conheço, nunca ouvi seu nome e até gostarei se realmente ela for a autora do Crime, mas JAMAIS vou me permitir a ser levado pelo ódio em detrimento a minha inteligência. E nessa questão toda, tenho todas as razões para questionar.

Os pontos que não batem na história:

-Sobre o vídeo:

Reparem que na explicação do vídeo, diz-se que o cão foi assassinado… mas para quem viu o vídeo inteiro, o cão aparece ainda vivo ao final do mesmo. Claro que não atenua moralmente o ato monstruoso, mas não se pode chamar alguém de criminoso, salvo se tenha o crime… é claro que existem excessões, como o caso do Goleiro Bruno do Flamengo, onde o corpo de sua ex-amante JAMAIS apareceu, mas ele continua preso.

-Sobre os dados da SAF

Percebam que o crime ocorreu na cidade de FORMOSA em Goiás. Essa cidade mantém um DDD de nº 61, mas o endereço informado como sendo o da SAF é de GOIÂNIA, capital desse estado, cujo DDD é 62. Se o crime ocorreu em FORMOSA, porque o endereço “CONFIRMADO” pelos detetives de plantão é de uma cidade que fica a 282 km de distância, ou sejam, quase 3 horas de distância?

Em pesquisa feita por mim, segundo o programa de cadastro e proteção ao crédito do Serasa Experia, apenas os dados de nome, data de nascimento e CPF batem com as informações dos “Arapongas” de internet… mas em minha pesquisa, tive como retorno uma 3ª cidade (considerando-se as infromações anteriores sobre Formosa e Goiânia) que seria a cidade de INACIOLÂNDIA, também no Estado de Goiás. E nenhum dos telefones (cujo DDD é 64) batem.

Aliás, diga-se de passagem, rodam 2 versões dos telefones, e em âmbas as informações seriam “CONFIRMADAS”, uma com ddd 61 e outra idêntica com o ddd 62.

-Sobre a origem dos dados

Absolutamente NINGUÉM conhece a origem dos dados. Os mais honestos e menos egóicos dizem apenas que repassaram a informação que lhes chegou. Aqueles que querem aparecer, ou dizem que amigos poderosos levantaram os dados e que não poderiam divulgar pois manteriam esses amigos confidencialmente.

Houve até uma versão que se não tivesse me divertido, teria me irritado. De que através do IP de quem postou o vídeo, hackers teriam rastreado o endereço… ora, então ou a própria maltratante, ou um parente com raiva, além de ter gravado as agressões, ainda teria publicado na Net, e do próprio endereço da SAF.

A verdade é que NINGUÉM, dora a agressora, quem filmou e nada fez e os espíritos é que sabem VERDADEIRAMENTE a identidade, se é ou não é a pessoa apresentada a turba enfurecida.

A todo momento surgem histórias como ela já teria prestado depoimento (mas as delegacias locais não confirmam, e a imprensa não fala nada), de que um “veterinário” teria atendido a SAF com o cão já morto, mas NINGUÉM indica o nome do Veterinário, e histórias que mais parecem a Lenda da Loira do banheiro que qualquer outro fato apresentável.

Assim sendo, fica a minha opinião:

Seja a pessoa apresentada, julgada e condenada pelos internautas a pessoa certa ou não seja, só posso ter a certeza de que todos saimos perdendo…

Perdemos pela possível perda do animal, perdemos pelas agressões sofridas, perdemos ainda por termos que assistir a cenas grotescas de tortura animal… Mas tambem perde a proteção ANIMAL. Perde pois em sua grande maioria, não foram seus membros capazes do benefício da dúvida, do respeito a uma das Mâgnas Leis que diz que “TODOS SÃO INOCENTES ATÉ QUE SE PROVE SUA CULPA”, perde pois JULGARAM E CONDENARA ALGUÉM SEM NENHUM FUNDAMENTO PLAUSÍVEL, fora um nome, cpf e informações jogadas num site de vídeos da Internet.

Mas a perda pode ser muito maior, sim, em caso de inocência da atual “Judas” que anda sendo malhada pela proteção animal enfurecida… Sim, porque nada pode pagar a humilhação que essa pessoa pode estar passando.

No mais, fica meu desejo sincero de que REALMENTE o velho ditado se concretize… que a proteção animal nacional tenha “ATIRADO NO QUE VIU E ACERTADO NO QUE NÃO VIU” e que essa MONSTRA seja realmente a pessoa indicada e destribuida em fotos, cartazes e petições pela internet… porque, se não for, realmente vou começar a duvidar MUITO de que algum dia sejamos levados a sério!

Terei eu então, a CERTEZA, de que teremos retornado centenas de anos, quando turbas enfurecidas partiam com suas tochas nas mãos, queimando qualquer um que fosse diferente, sendo culpados ou não!

 

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