Saiba tudo sobre a Catarata

 Dr. Jorge Pereira

Oftamologista Veterinário “Com a cirurgia, a visão é devolvida ao animal e com

isso ele ganha qualidade de vida”

A doença

    Diferentemente dos seres humanos, onde a catarata é um evento de natureza senil, nos animais, como os cachorros, os gatos, os cavalos e as aves, a catarata tem natureza hereditária. Normalmente ela ocorre no resultado de cruzamentos consanguíneos, que não deveriam acontecer, como parentes cruzando entre si. Quando os genes recessivos se encontram, doenças, como a catarata, acontecem e, infelizmente, na tenra idade. Entretanto, essa doença também pode ser de natureza metabólica, a exemplo dos casos de diabetes, quando pode haver uma evolução rápida para a cegueira total, em apenas uma semana. Existe também a possibilidade de animais, que fazem uso por longos períodos de medicamentos, como anti-inflamatório e produtos para combater infecções por fungo, desenvolverem uma catarata classificada como iatrogênica (causada pelo próprio medicamento). Traumas e agentes tóxicos seriam causas menos frequentes de catarata.

    O que se pode fazer para prevenir o surgimento da catarata é evitar o cruzamento de animais acometidos e com relação às drogas, estar sempre atento às recomendações médicas e jamais medicar seu animal por própria conta e responsabilidade.

    A consequência da catarata é a cegueira. Muitos tratamentos clínicos têm sido propostos e, ao final, motivo de grande frustração e o único tratamento 100% eficaz, quando o paciente é bem selecionado, é a cirurgia. Mas existe um momento que não deve ser negligenciado, não se deve operar um animal que, embora seja portador de catarata, tenha uma visão de qualidade e por outro lado não se pode “perder” o tempo ideal para operar, pois o animal pode desenvolver inflamação crônica intraocular, o que determina um prurido (a coceira) incontrolável e desenvolver um glaucoma, situação que pode representar dor extrema e perda de qualidade de vida e também porque uma catarata operável pode se transformar em uma doença incurável. Com a cirurgia, a visão é devolvida ao animal e com isso ele ganha qualidade de vida.

A cirurgia

    O primeiro passo para uma cirurgia de catarata em um cão, gato, cavalo ou qualquer outra espécie animal, é a seleção do paciente. Os animais que não se deixam medicar devem ser treinados para aceitarem a medicação pré e pós-operatória, ou devem ser refugados, uma vez que o pós-operatório é quase tão importante quanto a própria cirurgia.

    Depois que o paciente se torna cooperativo vai à consulta, o segundo passo, onde é submetido a uma avaliação clínica oftálmica completa, passando por biomicroscopia, oftalmoscopia direta e indireta, exame do filme lacrimal e a qualidade de suas camadas, teste dos reflexos fotopupilares a filtros de baixo e alto comprimento de onda, tomada de pressão intraocular, entre outros, são neste momento efetuados. Depois que o animal que passou desta segunda fase, segue ao terceiro passo e faz a rotina de exames pré-operatórios: aqueles com relação ao organismo como um todo (feitos a partir da exigência do clínico geral que acompanha a vida do animal) e aqueles relacionados ao olho em si (feitos pelo oftalmologista), sejam; ultrassonografia e ecografia ocular – em modos A e B e com transdutor específico para o exame de ultrassonografia ocular e uma eletroretinografia, para avaliar o potencial elétrico dos fotoreceptores cones e bastonetes, bem como avaliar outras camadas importantes da retina, a “parte nobre” do aparelho ocular.

    Para se ter uma ideia, de cada 10 animais que vêm para consulta com quadro de catarata, apenas 3 são selecionados a partir deste ponto e são efetivamente operados.

    Após esses três passos o animal segue para a cirurgia:

• Pré anestesia e higienização do campo cirúrgico (região ocular e que envolve o olho a ser operado);

• Anestesia geral através de tubo endotraqueal, inalatória, e bloqueio local são efetuados por anestesia experiente em procedimentos oftálmicos;

• Posicionamento do animal em mesa especial e posicionamento da cabeça com equipamento específico;

• Rehigienização em mesa do campo operatório e preparo com colocação dos campos cirúrgicos;

• Posicionamento do microscópio para devida focalização do campo;

• Camaracentese (abertura da câmara anterior);

• Aplicação de um corante vital para se obter contraste da cápsula;

• Aplicação ou não de viscoelástico – decisão caso a caso (gel de preenchimento de câmara que facilita o próximo passo);

• Capsulorexis (abertura da cápsula anterior do cristalino);

• Hidrodissecção (opcional – alguns preferem não executarem a hidrodissecção);

• Aspiração de material cortical do cristalino;

• Fragmentação do núcleo do cristalino dentro de sua cápsula;

• Emulsificação e aspiração dos fragmentos do núcleo (com ou sem ultrassom – caso dependente);

• Aspiração de restos de córtex e polimento capsular;

• Implante da lente intraocular (hoje através de injeção de uma lente dobrável).

    O animal fará uso tópico de colírios com antibiótico de amplo espectro e associação de drogas antiinflamatórias hormonais e não hormonais por 15 dias. Em nossa rotina, recomendamos o uso de colar elizabethano por 15 dias. A partir daí, alta do paciente.

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