Resgatar Animais não é brincadeira (1ªparte-Resgate)

Pessoal,

Diante de alguns absurdos que tenho visto diariamente, resolvi fazer essa série em 3 partes sobre o “RESGATE” (forma genérica do termo) que contará de:

1ª Parte – O RESGATE/CAPTURA

2ª Parte- A REABILITAÇÃO

3ª Parte- A ADOÇÃO

O RESGATE/CAPTURA

A primeira coisa que gostaria de esclarecer nesse artigo é que RESGATAR é completamente diferente de RECOLHER um animal. O termo resgate vem sendo usado de forma genérica por uma grande maioria, talvez por isso, fazendo com que muitos se aventurem como resgatistas, o que acaba normalmente trazendo prejuízos a parte mais interessada… o animal!

Encontrar aquele cachorrinho judiado no meio da rua pode ser um resgate ou um recolhimento… mas o que fará essa diferença?

Primeiro se o animal precisa realmente desse resgate, ou se ele é um animal comunitário, em boas condições, etc. Abrir a porta do carro e o cão pular prá dentro, JAMAIS será um resgate e sim um recolhimento, assim como, pegar o cão na rua e entregar numa instituição qualquer, sem se preocupar com o destino futuro do animal… recolhimento… quase (mesmo sem a mesma intenção) o que era a famigerada “Carrocinha”!

O primeiro fator a ser analisado em qualquer resgate é o contexto em que o animal se encontra. Nem vou aqui mencionar que diferentes tipos e portes de animais diferenciam as técnicas que deverão ser adotadas, isso me parece lógico a qualquer pessoa. Eu por exemplo, não tenho absolutamente prática alguma em resgate de eqüinos… caso me depare com uma situação dessas, abro espaço para quem conheça os procedimentos. Aliás, resgate de eqüinos é algo que eu gostaria MUITO de aprender…

Não conheço ninguém (o que não significa que não exista) que seja especialista em resgatar cães de todos os portes, felinos, animais silvestres, pássaros, exóticos, de fazenda, eqüinos, paquidermes…ufa…todas as espécies. Normalmente você conhecerá que resgate bem cães e gatos, quem se especializa em animais de grande porte, especialistas em aves, animais marinhos e assim por diante.

Aliás, cabe aqui a ressalva de honra a Sea Shepherd, a única instituição no Brasil que ministra cursos de resgate de animais em decorrência a derrames de óleo. Eu fiz esse curso e posso garantir que é espetacular!

Então, vamos aos pontos que formam o contexto, baseando-nos em resgates de cães, que são os mais usuais:

1-       Localização e topografia do local. Estradas, ruas movimentadas, locais com grande concentração de pessoas devem ser SEMPRE isolados… ou seja, deve-se parar o trânsito, deve se afastar as pessoas, deve-se avaliar as possíveis rotas de fuga do animal. No mínimo para evitar que aquele animal que você quer tanto ajudar, não acabe morrendo atropelado ao correr para a rua movimentada… ou ainda que ataque um popular, afinal, não se sabe em que estado de espírito o animal vai ser encontrado.

2-      Avaliar o estado geral do animal (físico/comportamental). Eu já encarei resgates onde o animal estava completamente passivo, fosse por medo, por debilidade física ou mesmo por sua índole… assim como já encontrei animais extremamente violentos, motivados exatamente pelas mesmas razões acima. O grande problema do resgatista é que ele não pode seguir aquele velho conselho da mamãe: “não ponha a mão em cão que você não conhece!”. Afinal, é tudo o que fazemos.  

Eu, graças a alguma proteção (sobrenatural, sei lá) NUNCA fui mordido, ou arranhado por nenhum animal em resgates ou fora deles… talvez (tirando a parte do “sobrenatural” RS**) justamente por avaliar bem o método usado para aquele tipo de resgate.

Conversando outro dia com a Renata Prieto, fundadora do G.A.R.R.A, grupo com o qual me identifico pela ideologia e método de trabalho e ao qual sempre que solicitado presto ajuda, falávamos exatamente sobre “mordidas” em resgates… ela me confidenciou um fato interessante: Ela nunca foi mordida por um cão de grande porte…só pelos mais pequeninos! Daí vemos como as aparências enganam, e como a situação, mesmo quando bem avaliada, ainda pode trazer riscos ao resgatista e ao animal.

3-      Avaliar a técnica que você vai usar. Sim, um resgatista que não sabe usar uma “corda de resgate”, que não leva  petiscos, que não sabe como se aproximar de um cão, avaliando seu estado de humor (vai chegar agachado? De pé? Vai olhar diretamente para o animal ou vai fingir que o animal não está ali?) se vai ter que lançar mão de algumas ferramentas… que fique claro aqui que o uso do cambão e de sedativos devam ser usados apenas em última hipótese… o primeiro por ser uma violência com o animal, o segundo por necessitar de acompanhamento veterinário e por poder trazer problemas para o animal. Depois de avaliar os fatores necessários e conseguir contato físico com o animal, como você vai transportá-lo em caso de necessidade… de barriga para cima, como um bebê, ou de barriga para baixo… tudo isso é técnica, que só se ganha resgatando ou estudando e depois pondo em prática.

Existem técnicas com 2 cordas de resgate e 2 resgatistas, com 3, técnicas de cerco, casos onde por mais que queiramos estar acompanhados de mais pessoas deveremos ir sozinhos e assim por diante.

Resgatar, como pode ser visto aqui já lhe parece complicado? E é bem mais do que isso que aqui escrevo genericamente. A intenção não é a de ensinar ninguém a resgatar, mas a lembrar o quanto isso pode envolver riscos ao resgatista, a populares que estejam próximos e mais, ao próprio animal.

Em alguns países que demonstram uma preocupação maior para com animais que nossa terra Patropi, existem cursos especializados para resgate de animais, respeitando a capacidade do resgatista e o tipo de animal.

Abaixo, alguns exemplos disso nos EUA

http://www.muttshack.org/Animal_Rescue_Certification_and_Training.htm

http://basicanimalrescuetraining.org/

http://www.hast.net/LART.htm

http://peaceatlastfarmsanimalrescueandrehabilitation.org/

Bom, diante desses argumentos, num futuro, se você não tem experiência, se não for um caso de recolhimento de animal… não se exponha, não exponha a população e principalmente, não exponha o animal a uma situação em que pode acabar mal! Chame alguém que possua experiência no assunto.

Lembre-se… resgatar um animal não é brincadeira e envolve riscos para você e para o animal!

No próximo artigo, vou falar sobre a REABILITAÇÃO…até lá, um abraço!

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