Mal-estar em geral e coração: O que tem a ver?

Para nós, veterinários especializados em cardiologia, a arguição acima é preocupante, haja vista que os animais que têm problemas cardíacos são tratados com remédios para diminuir a quantidade de água e sódio do organismo e, também, com algumas drogas vasodilatadoras.

Por exemplo: os diuréticos, os bloqueadores adrenérgicos e IECAS.

Nesses distúrbios orgânicos, os animais perdem muita água, de forma rápida e súbita. Acrescente a este problema algumas drogas que causam também a desidratação, perda de eletrólitos (principalmente sódio) e, consequentemente, reduzem a pressão sanguínea.

 
 
Dr. Moyses Fonseca Serpa (cardiologista vetetrinário) - Revista Hot Pets 5

Dr. Moyses Fonseca Serpa

(cardiologista vetetrinário)

  
Se o animal já está desidratado por causa do distúrbio digestivo grave e seu dono, zeloso como sempre, não deixa de dar os medicamentos na hora programada, acreditando que se trata apenas de um malestar, com certeza a doença cardíaca sairá do controle e o animal poderá correr risco de morte.

Distúrbios orgânicos são os sinais mais evidentes dos transtornos gastrointestinais e são frequentes na vida de um animal, pois a origem do problema quase sempre está dentro de casa, principalmente mas seguintes condições:

Ingestão de alimentos inadequados como: pizza, sanduíches, doces, salgadinhos e alimentos que são temperados com especiarias (alecrim, manjericão, pimentas diversas etc); mas também vemos com muita frequência os animais receberem água ou alimentos contaminados.

Daremos a seguir algumas dicas de como evitar este problema. Mas antes enfatizo que os animais com doenças cardíacas avançadas devem ter acesso ao médico de forma rápida a qualquer sinal de alteração no distúrbio digestivo.

1. Água

Habitualmente os donos de cães e gatos usam cubas para fornecer água e a ração. Nada errado até aí. O problema é que esta cuba fica no ambiente à disposição do animal a maior parte do dia, o que propicia o acúmulo de impurezas e a contaminação por microrganismos.

Evidente que esta forma não é mais adequada. Recomendamos sempre que as cubas, após o uso, sejam lavadas com detergentes neutros e guardadas em um local apropriado. Alimento e água devem ser oferecidos em horários pré-determinados e sempre de boa qualidade.

2. Alimento

Da mesma forma, os cuidados com o armazenamento devem ser rotineiros, e isto começa na hora da compra.

Não compre ração vendida a granel, pois a possibilidade de manipulação por pessoas com as mãos sujas ou mesmo acúmulo de poeira ambiental é enorme.

Caso possível, mantenha o alimento do seu animal na embalagem original e fechada de forma segura. Nas lojas de utilidades domésticas encontram-se com facilidade alguns dispositivos para tal.

Não permita que o seu animal alimente-se de outro produto que não seja aquele que ele está acostumado – nada de churrasco, frutos do mar ou qualquer alimento exótico.

Mas será que ele sabe que não pode comer?

Algumas pessoas desavisadas (crianças principalmente), querendo agradar o animal, podem dar pequenas porções, como se fossem petiscos. Convenhamos, não é um risco enorme?

3. Como resolver

Crie novos hábitos para o seu pet – discipline um horário para oferecer água e alimentos; mantenha a água em frasco fechado no refrigerador; compre alimentos para períodos de tempo menores; não deixe de lavar as cubas após cada uso.

Logo que possível converse com o médico do seu animal e peça orientação para o caso de alguma emergência.

Não tenho dúvidas que ele irá ajudar. Mas na dúvida, o jejum de alimentos e um soro reidratante por via oral (pequenas porções em intervalos regulares), são as primeiras medidas a serem tomadas.

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