Hipertensão em Cães e Gatos: Um mal silencioso

Pessoal, mais uma matéria séria da revista HotPet, espero que aproveitem!

Por: Luiz Octavio Pires Leal

 

A hipertensão sistêmica é o aumento da pressão arterial sanguínea sistêmica. Embora a hipertensão arterial seja uma das causas mais comuns de morbidade e mortalidade na medicina humana, na veterinária ainda se transita pelas primeiras etapas de diagnóstico e pela sua compreensão, já que a aferição da pressão arterial não faz parte da rotina clínica diária. A hipertensão sistêmica pode ser classificada como primária ou secundária. Na medicina veterinária, a

Dra. Ellen Jaffé Pracownik (cardiologista veterinária)

hipertensão normalmente é secundária a doenças sistêmicas.

A hipertensão primária (sem causa definida) é mais rara, mas já há estudos que dizem que 18 a 20% dos gatos hipertensivos tem hipertensão primária. A hipertensão secundária pode ser causada por hiperadrenocorticismo (doença hormonal que aumenta o cortisol sanguíneo), doença renal, doença da tireóide (hipo ou hipertireoidismo), diabete mellitos, doença hepática, uso de medicamentos como a eritropoietina e esteróides (corticóide), policitemia (aumento circulante dos glóbulos vermelhos no sangue), feocromocitoma (tumor na glândula adrenal, próxima ao rim), hiperaldosteronismo primário (aumento da aldosterona no sangue), anemia crônica e obesidade (incomum). A doença renal é a causa mais comum de hipertensão em pequenos animais. E a própria hipertensão, causada ou não por doença renal, pode provocar lesões renais. Mas deve-se lembrar que a ansiedade e o estresse do animal tamtambém aumentam a pressão arterial.

A hipertensão arterial provoca lesões nos olhos, coração, cérebro e rins.

Os sinais clínicos mais comumente encontrados são: aumento da ingestão de água e perda de peso, cegueira aguda, aumento da diurese, vômitos, convulsões, alteraçõescardíacas, alterações oculares, fraqueza e anormalidades de comportamento. Também se pode observar outros sintomas neurológicos como desorientação e distúrbios de equilíbrio.

A maioria dos casos de hipertensão felina está relacionada com anormalidades oculares e ou cardíacas no exame físico e evidências de disfunção renal nos exames laboratoriais. As causas mais comuns de hipertensão felina são: a doença renal crônica e o hipertireoidismo. As manifestações clínicas mais comuns de alterações oculares em cães e gatos são: hemorragia e degeneração de retina, mas também pode haver glaucoma. A hipertensão deve ser considerada em gatos idosos, com início súbito de cegueira. Infelizmente, na maioria dos casos, o gato não volta a enxergar, mesmo após o início do tratamento.

Alterações cardíacas estão associadas com sopros cardíacos, alteração de ritmo cardíaco (ritmo de galope), aumento do coração e sangramento nasal. Além disso, complicações cardiovasculares podem levar o animal a óbito.

Animais com sinais clínicos de hipertensão e elevada pressão arterial devem receber terapia antihipertensiva para diminuir a pressão arterial e consequentemente os sinais clínicos relacionados. A decisão do tratamento e da droga antihipertensiva depende de vários fatores, incluindo a causa prevista da hipertensão, a presença de lesão em algum órgão e a gravidade do aumento da pressão sanguínea.

A determinação da pressão arterial em cães e gatos é muito importante, já que a hipertensão pode ocasionar alterações significativas no paciente. Animais idosos são mais predispostos a desenvolver doenças que provocam a hipertensão arterial sistêmica, sendo recomendado a aferição da pressão em todos os animais acima de dez anos, principalmente. Além de tratar a doença de base, quando a hipertensão é diagnosticada como secundária, protocolos de tratamento têm sido desenvolvidos e podem ajudar no controle da hipertensão.

Portanto, se o seu cãozinho ou gatinho é um paciente idoso, converse com o seu veterinário. A prevenção e o diagnóstico precoce podem evitar graves problemas para o seu animal.

“A determinação da pressão

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