Bwana Park X Zoonit

Oi pessoal,

Hpje recebi um email bem providencial de uma leitora do Atitude Animal, a qual quero agradecer, mas que vou manter no anonimato por razões óbvias.

nesse email ela me lembrava do famoso caso do Bwana Park, um absurdo sem punição até hoje e que, por incrível que pareça, tem mais similaridades que se possa imaginar, com o famoso caso Zoonit. Não fosse apenas a questão dos maus tratos e possível tráfico de animais, existem personagens que são comuns a âmbos os casos…

Até quando vamos ver coisas assim acontecendo, investigações feitas e nada resultando de punição a essas pessoas criminosas e inescrupulosas???

Manifesto aqui minha revolta contra nossas autoridades!

Acompanhem as reportagens do passado e encontrem por sí só as curiosas coincidências!

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Morte suspeita de animais no Bwana Park

Fábio Vasconcellos   O Globo – RJ

Menos de dois meses após receber licença do Ibama para voltar a funcionar, os proprietários do zoológico Bwana Park, em Guaratiba, terão que explicar à Delegacia de Proteção do Meio Ambiente as causas da morte de uma leoa, ocorrida há cerca de uma semana. O delegado do Meio Ambiente, Arthur Cabral, determinou abertura de inquérito após receber denúncias de que os animais estavam morrendo de inanição, o que, se confirmado pelas investigações, configura crime de maus-tratos, punível com três meses a um ano de prisão.

Policiais estiveram no parque na semana passada e constataram as más condições dos animais, alguns esquálidos e em jaulas malconservadas. Um funcionário contou que os felinos, por exemplo, estavam sendo alimentados com apenas quatro quilos de carne por semana, quando o ideal seriam quinze quilos.

– Já temos informações suficientes para chegar ao indiciamento dos proprietários do parque – disse o delegado. Universidade em Vargem Pequena recebeu carcaça

De acordo com Arthur Cabral, a polícia vai encaminhar esta semana um ofício à Universidade Estácio de Sá. Alunos informaram que o campus da universidade em Vargem Pequena recebeu os ossos da leoa para fazer a necropsia do animal. Professores do setor de anatomia patológica do curso de veterinária não quiseram dar informações.

– Queremos saber com exatidão o que matou a leoa. Isso é fundamental para concluirmos as investigações – explicou o delegado.

A Delegacia de Meio Ambiente pedirá também ao Ibama a lista detalhada dos animais que o Bwana Park foi autorizado pelo órgão a criar. A intenção é verificar se o número de animais que morreram é ainda maior.

– Já fomos informados que uma onça está desaparecida – disse o delegado.

A diretora da ONG Fala Bicho, Sheila Moura, que esteve no Bwana Park, atestou que as condições dos animais são péssimas:

– A situação dos felinos é gravíssima. Uma onça estava com as patas traseiras arriadas e sem conseguir andar, de tão fraca.

Parque foi vendido no sábado para virar hotel

Até a semana passada, o Bwana Park pertencia à empresária Eliete Ervin. Ela negou a morte da leoa e contestou que os animais estivessem sofrendo maus-tratos. – É tudo invenção. Vendi o parque na sexta-feira e todos os animais estavam em perfeitas condições – alegou ela.

Um representante dos novos donos do Bwana Park, no entanto, desmentiu a ex-proprietária e endossou as suspeitas de maus-tratos aos animais. Segundo Daniel Antoine, que se apresentou como administrador do estabelecimento, ao assumir a direção do zoológico no sábado os novos donos verificaram que os animais estavam passando forme. De acordo com Antoine, o parque será transformado em hotel.

Ele confirmou a morte da leoa.

– Os animais estavam passando fome e uma leoa morreu, mas, desde sábado, quando assumimos o parque, eles estão sendo alimentados normalmente – disse o administrador, que, no entanto, não permitiu a entrada de uma equipe de reportagem deste jornal.

Há 3 meses, interdição para obras: havia risco de fugas

Há cerca de três meses o Bwana Park fora interditado temporariamente pelo Ibama, até que os proprietários reformassem as instalações. De acordo com os fiscais do Ibama, algumas jaulas estavam em más condições, o que poderia facilitar a fuga de animais. O único veterinário do zoológico também havia pedido demissão.

– As condições eram precárias – disse um dos fiscais.

Há menos de dois meses o parque cumpriu as exigências do Ibama e recebeu autorização para voltar a funcionar. O Ibama pretende fazer outra blitz no Bwana nos próximos dias.

Setor em inferno astral

Parques temáticos enfrentam crise

Os parques temáticos na cidade entraram numa espécie de trem-fantasma. Por causa da crise no setor, decidiram investir mais em novas atrações, atividades diversificadas, treinamento de pessoal e segurança. O Rio Water Planet, por exemplo, investiu R$ 1 milhão em treinamento, manutenção dos brinquedos e duas novas atrações. No Wet’n Wild, estão sendo estudados novos projetos, incluindo a promoção de eventos, também com investimento de R$ 1 milhão. No Parque da Mônica, mais um brinquedo está por vir e novas festas serão promovidas com uma verba de R$ 300 mil para este ano. O Terra Encantada terá um cinema e um brinquedo aquático.

Animais do Bwana Park estão até 40% abaixo do peso, diz veterinário.

Universidade divulga hoje laudo que indicará causa da morte de leoa

Os animais do Bwana Park, em Guaratiba, estão, em média, com o peso de 30% a 40% abaixo do normal. A constatação foi feita ontem pelo veterinário André Sena Maia, da Fundação Jardim Zoológico de Niterói. A fundação resolveu colaborar com a alimentação dos animais, que, como foi noticiado ontem pelo jornal, vinham recebendo apenas quatro quilos de carne por semana, quando o ideal seriam quinze. A Universidade Estácio de Sá conclui hoje o laudo da necropsia que indicará as causas da morte de uma leoa do parque, há cerca de uma semana.

Segundo um outro veterinário, que já trabalhou no Bwana Park, a leoa teria morrido de infecção generalizada.

– Sem alimentação, o animal ficou debilitado – contou.
Para o veterinário André Maia, os macacos babuínos são os que estão em pior estado.

– Eles estão extremamente magros – disse André Maia.

A diretora do zôo de Niterói, Giselda Candiotto, que também visitou o Bwana, afirmou que os felinos devem estar pesando cerca de 150 quilos.

– É um peso muito abaixo do esperado. Uma onça da mesma idade deveria estar pesando de 280 a 300 quilos – afirmou.

Despensa vazia e carne suficiente somente até hoje

Segundo Gisela, a despensa do Bwana está praticamente vazia. A carne só daria para alimentar os felinos até hoje.

– O responsável pelo parque fez o que pôde para alimentar os animais, mesmo que precariamente. Ele nos contou que conseguiu um empréstimo com uma pessoa para comprar mantimentos – contou a diretora do zôo.

Fotografias tiradas semana passada por um advogado que pediu para ser identificado apenas como Costa revelam animais visivelmente magros.

– Além de faltar comida, as jaulas dos bichos estavam sujas – contou Costa.

O Ibama fará uma vistoria no Bwana Park. Se forem comprovadas as denúncias de maus-tratos, o parque será interditado definitivamente e os animais, recolhidos, disse a gerente de fiscalização do órgão no Rio,

Márcia das Graças:

– As denúncias são graves. Se os animais estiverem em tão más condições, vamos cassar a licença do parque e suspender a visitação.

Fechando o local, determinaremos a transferência imediata de pássaros, macacos e felinos – disse a fiscal, acrescentando que o órgão ainda precisaria estudar para onde mandar os animais.
O zoológico de Niterói tentará negociar com os atuais donos do parque a transferência de alguns animais. A fundação recebeu apoio da Petrobras, que se comprometeu a pagar a compra de alimentos e medicamentos.

Onça desaparecida teria sido devorada, segundo denúncia
A Delegacia de Proteção do Meio Ambiente, que abriu inquérito para investigar as suspeitas de maus-tratos no Bwana Park, recebeu ainda a denúncia de que a onça que está desaparecida há duas semanas teria sido morta por outro felino, faminto. O delegado Arthur Cabral, que já ouviu três testemunhas confirmando a precariedade das condições dos animais, determinou que uma equipe retorne hoje ao parque.

– A testemunha nos telefonou e disse que há cerca de duas semanas uma onça matou outra depois de uma briga. Esse fato aconteceu porque os animais estavam dias sem comida – disse o delegado.

Bwana, o parque do terror

Ibama descobre em freezers 103 animais mortos

O Ibama interditou ontem o Bwana Parque – um zoológico particular em Guaratiba – depois que uma blitz descobriu 103 cadáveres e cabeças de animais mortos, em dois freezers e na clínica veterinária. O número equivale a 76% dos bichos. Vivos, só restaram 33 animais em estado precário. Entre os animais mortos havia uma onça-pintada e um jacaré-de-papo-amarelo, espécies ameaçadas de extinção. Os participantes da blitz constataram os maus-tratos e a má alimentação, como o jornal noticiou por dois dias.

Bwana Park tinha 103 cadáveres de animais

Fiscais do Ibama e policiais encontram bichos mortos em dois freezers e até sobre mesas da clínica veterinária

Um parque do terror. Assim fiscais do Ibama e policiais da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente definiram o que encontraram, ontem de manhã, numa blitz no Bwana Park, em Guaratiba. Em dois freezers e em mesas da clínica veterinária do parque, técnicos e policiais acharam 103 cadáveres e cabeças de animais, entre felinos, répteis e aves. Entre as espécies havia uma onça-pintada, um cisne-real, uma lontra asiática, sete araras, um jacaré-de-papo-amarelo, macacos-prego e uma jibóia. Ao todo, morreram 76% dos 137 animais do parque.

Os integrantes da blitz suspeitam de maus-tratos e má alimentação, como o jornal noticiou anteontem. O Ibama interditou o parque e a delegacia instaurou inquérito criminal para apurar responsabilidades pelas mortes, com base no artigo 32 da lei federal 9.605/98, que prevê pena de três meses a um ano de detenção para quem pratica maus-tratos contra animais. O Ibama também multou em R$ 53 mil a empresa ZPR Promoção de Eventos Especiais Ltda, responsável pelo Bwana Park.

Antiga proprietária vai ser chamada para depor

O delegado Arthur Cabral disse que chamará para depor a ex-proprietária do Bwana – o parque foi vendido ontem – Eliete Vieira dos Santos. Ele disse que os novos proprietários já estão providenciando a alimentação necessária para os 33 animais que restaram no parque.
Assustado com a repercussão do caso, o novo proprietário, o francês Daniel Antoine Marmy, de 50 anos, 16 deles no Brasil, disse que a situação poderia estar pior:

– Pelas condições em que estavam os bichos, as mortes que aconteceram foram até normais. Os animais estavam passando fome.

Eu já estava ciente da situação dos animais e comprei o terreno e as benfeitorias. O nome será outro.

Daniel informou ainda que um sócio o ajudou a comprar o parque. Ele não quis informar o nome do sócio nem o preço que pagaram pelo terreno e pelas benfeitorias. Daniel disse que saiu da primeira sociedade em 1996, depois de ter sido enganado pelo antigo dono, o suíço Werner Erwin Meier.

– O dinheiro só ia para um lado. Em julho de 1993, quando o parque foi inaugurado, recebíamos cerca de 800 crianças por dia, mil pessoas aos sábados e 1.500 no domingo – disse ele, acrescentando que o Bwana tinha 124 funcionários e hoje tem 80. Os salários foram acertados no último sábado.

Segundo o novo proprietário, o parque deverá ficar fechado por cerca de dois meses e abrirá com áreas reformadas e novos animais.
Os bichos serão necropsiados a partir de amanhã. Os que estavam guardados em freezers morreram há mais tempo e não puderam ser enterrados por estarem registrados no Ibama.

O Bwana Park já tinha sido fechado em dezembro do ano passado, por maus-tratos e má conservação do local, sendo reaberto logo após o carnaval deste ano. O novo proprietário do parque acusou também o veterinário André Sena Maia de ser um dos responsáveis pelo estado dos animais.

– Se ele sabia de tudo, por que não avisou sobre a situação dos animais? Ele é um dos responsáveis – disse Daniel Antoine, que ontem mesmo demitiu o veterinário.

O fiscal agropecuário do Ministério da Agricultura Luís Carlos Gonçalves lavrou o flagrante da morte dos animais. Também participou da operação o agente florestal federal Olandir Macedo. Eles informaram que os animais não podem ser enterrados antes de passarem por uma perícia.

Policiais estiveram no parque na semana passada e constaram as más condições em que viviam os animais, alguns esquálidos e em jaulas malconservadas. Os poucos animais que sobraram estavam ontem quietos e muito magros.

Universidade vai fazer necropsia em leoa

O delegado Arthur Cabral disse ainda que a polícia vai encaminhar esta semana um ofício à Universidade Estácio de Sá. O campus da universidade em Vargem Pequena recebeu, para fazer a necropsia, os ossos de uma leoa que morreu na semana passada. Professores do setor de anatomia patológica do curso de veterinária não quiseram dar informações.

A Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente pedirá ao Ibama uma lista detalhada dos animais que o Bwana Park foi autorizado pelo órgão a criar. A intenção é verificar se o número de animais que morreram é maior. O artigo 32 da lei 9.605/98 prevê, para quem “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, pena de três meses a um ano de prisão e multa. No parágrafo 2º a lei diz que a pena é aumentada de um sexto a um terço em caso de morte do animal.

Peso até 40% abaixo do normal

A denúncia de que animais estavam morrendo de inanição no Bwana Park levou a polícia a abrir inquérito para investigar o caso, como o jornal noticiou anteontem ao revelar a morte de uma leoa. Segundo uma denúncia, os felinos vinham sendo alimentados com apenas quatro quilos de carne por semana, quando o ideal seriam 15. Anteontem um veterinário do Zôo de Niterói constatou que os animais do lugar estavam com o peso em média 30% a 40% abaixo do normal.

Os mortos

7 ARARAS-CANINDÉ: Animal brasileiro, originário da Mata Atlântica. Não é listado no Ibama como ameaçado, mas é considerado ameaçado de extinção pela Convenção do Comércio Internacional de Fauna e Flora, da qual o Brasil é signatário com mais 151 países. No Estado do Rio não existe mais.

1 GATO-DO-MATO: Também de origem brasileira. Encontra-se em todo território nacional. Algumas espécies estão ameaçadas de extinção.

1 COBRA JIBÓIA: Brasileira, vive em todo o território nacional. Não listada como ameaçada.

2 COELHOS: Animal doméstico.

1 GAVIÃO: Brasileiro, não está ameaçado.

1 JACARÉ-DE-PAPO-AMARELO: Brasilieiro e está em extinção. Encontrado ainda em alguns lugares do Estado do Rio.

1 SIRIEMA: Brasileiro, vive no cerrado, não está ameaçado.

1 CISNE-REAL: Animal doméstico brasileiro.

1 LONTRA ASIÁTICA: Animal exótico.

1 LINCE AFRICANO: Animal exótico. Listado pela Convenção do Comércio Internacional de Fauna e Flora.

35 JABOTIS (SENDO 31 FILHOTES , 3 MACHOS ADULTOS E 1 FÊMEA): Brasileiro, não está em extinção.

3 LAGARTOS: Brasileiro, não ameaçado.

1 PATO: Animal doméstico.

1 CORUJA: Da fauna brasileira, não ameaçado.

2 JANDAIAS-SOL: Brasileiro, porém na lista da Convenção do Comércio Internacional de Fauna e Flora.

1 TUCANO-TOCO: Brasileiro, não ameaçado.

8 MACACOS-PREGO: Brasileiro, não ameaçado.

4 CABEÇAS DE PAVÃO AZUL: Animal doméstico.

2 CABEÇAS DE PAVÃO AZUL (FÊMEAS).

28 JACUÍS-TALO-BRANCO: Pássaro brasileiro, não ameaçado.

1 ONÇA-PINTADA: Brasileiro, ameaçado de extinção.

OS REMANESCENTES

19 FELINOS

14 primatas

Vários pássaros não relacionados

PARQUE DO TERROR: Local já havia sido interditado em dezembro por falta de condições para abrigar zoológico

Ibama decide cassar o registro do Bwana Park

Prefeitura do Rio anuncia o aumento da fiscalização em todos os estabelecimentos onde animais são criados

A gerente de fiscalização do Ibama, Márcia das Graças, garantiu ontem que o Bwana Park terá o registro cassado em função da morte dos 104 animais (além dos 103 encontrados mortos ontem, uma leoa já havia morrido semana passada). Para ela, o caso é grave porque o parque é reincidente. Em dezembro, os fiscais do órgão já haviam interditado o local por falta de condições para abrigar um zoológico. Os antigos proprietários, no entanto, atenderam às exigências e o estabelecimento voltou a funcionar há cerca de três meses.

– A ordem é cassar o registro do Bwana, já que eles já tinha sido advertidos anteriomente. A morte dos animais foi um fato grave – afirmou Márcia das Graças.

Os fiscais do Núcleo de Fauna da Gerência Executiva do órgão, no entanto, desconheciam a ordem até ontem à tarde. De acordo com a bióloga Beatriz Schuback Braga, por enquanto o Ibama vai aguardar os resultados dos exames que vão apontar a causa das morte dos animais. Em seguida, o órgão tentará localizar os novos donos do parque para saber se ainda há interesse em manter a parte do zoológico funcionando:

– Se os proprietários tiverem intenção de reabrir o parque, terão que cumprir uma série de exigências. Se não forem reabrir o zoológico, o Ibama tentará transferir os animais para outro local.

A secretária municipal de Promoção e Defesa dos Animais, Maria Lúcia Frota, classificou de barbaridade a morte de 104 animais do Bwana Park. Para a secretária, o caso do parque de Guaratiba revela a falta de cultura que alguns criadores ainda têm em relação à questão da preservação da fauna.

– Isso demonstra que estamos pelos menos 500 anos atrasados em matéria de preservação e cuidado de animais – disse Lúcia Fróes.

A secretária disse que a prefeitura está intensificando a fiscalização de lugares onde animais são criados.

A presidente da Sociedade União Protetora dos Animais (Suipa), Izabel Cristina Nascimento, acredita que, se o Ibama e a polícia intensificarem a fiscalização de lugares onde animais são criados para exposição, poderão encontrar mais irregularidades.

– Os responsáveis pelo Bwana Park precisam ser punidos exemplarmente. Se a polícia e o Ibama forem a outros locais que criam animais, deverão encontrar mais irregularidades.

Ex-dono teve morte suspeita

Laudo é aguardado há 4 meses

O Bwana Park foi fundado, em 1994, pelo empresário suíço Werner Erwin Meier. Ele faleceu em 20 de abril deste ano, mas até hoje sua morte não foi esclarecida. O corpo de Erwin foi encontrado dentro do seu carro, a Blazer KDX-1717, parada no acostamento da Avenida das Américas, na altura do Km 23. O corpo do empresário não apresentava qualquer sinal de violência, nenhuma marca de tiro. O carro estava intacto e nenhum pertence foi roubado. A mulher de Erwin afirma que o marido tinha saúde perfeita. A polícia registrou a morte como suspeita e a Justiça determinou que o IML fizesse a necropsia. Até hoje, no entanto, o exame não foi concluído.

Desde abril, o Bwana Park vinha sendo administrado por Eliete Vieira dos Santos, ex-companheira de Erwin, com quem ele teve uma filha. A menina completou ontem 4 anos. Eliete se separou do empresário há cerca de dois anos, mas, por possuir apenas 1% das cotas do parque, continuou gerenciando o Bwana, com dificuldades legais para vendê-lo.

Ibama sabia de mortes no Bwana desde maio

Gerência do órgão no Rio revela que enviou relatório para diretoria em Brasília, a quem cabia fechar o parque

Um relatório encaminhado há três meses pela gerência do Ibama no Rio para a diretoria em Brasília poderia ter evitado a morte de parte dos 103 animais cujas carcaças foram encontradas anteontem no Bwana Park, em Guaratiba. Segundo o chefe do Núcleo de Fauna do Ibama no Rio, o biólogo George Guimarães, o relatório encaminhado em maio trazia o resultado de uma vistoria feita no parque alguns dias após a morte do fundador do zoológico, o empresário suíço Werner Erwin Meier.

– Na vistoria, constatamos que havia falta de alimentos para os animais. Além disso, não havia biólogo trabalhando e as instalações apresentavam problemas – afirmou George, que também encontrou no local carcaças de animais em putrefação e pediu documentos que mostrassem quem seria o responsável pelo parque após a morte de Werner.

Parque passou por três vistorias em seis meses

Segundo o biólogo, entre 20 e 30 animais mortos estavam no parque durante essa vistoria, a terceira visita dos técnicos do Ibama ao Bwana Park feita num período de seis meses. A primeira, em dezembro de 2000, fora motivada por denúncias do veterinário André Luiz Paiva Sena Maia, que trabalhou por seis meses no parque. O relatório foi anexado a um processo de três volumes sobre as irregularidades no Bwana Park e encaminhado para Brasília, solicitando uma decisão da diretoria do Ibama, única instância com autonomia para cancelar o registro de zoológicos. Por causa de entraves burocráticos, nenhuma decisão foi tomada. A direção do Ibama só determinou o cancelamento do registro na terça-feira passada, por causa das reportagens do jornal revelando os maus-tratos.

– Havia elementos suficientes para cancelar o registro – afirma o gerente-executivo do Ibama no Rio, Carlos Henrique Abreu Mendes.
Esses elementos, no entanto, jamais foram apreciados pela diretoria do Ibama, que promoveu uma grande reestruturação no instituto que pode ter levado ao atraso na análise do processo. Processos como esse costumavam ser submetidos à Comissão Paritária de Zoológicos, presidida por um técnico do Ibama e composta por representantes dos zoológicos e de organizações ambientais.

– Ninguém aqui sabia que a comissão tinha sido extinta e que não havia sido substituída. Eu só soube disso no dia 18 de julho – afirma George.

Ibama precisaria assumir a direção do parque

Segundo Abreu Mendes, um prazo razoável para análise e deliberação a respeito de um processo como esse seria de 30 dias. No tempo transcorrido entre o envio do relatório e o fechamento do Bwana Park, afirma Carlos Henrique, a situação do parque se deteriorou aceleradamente.

– O processo aponta as irregularidades, mas a situação naquele momento não era tão grave quanto a que foi encontrada agora – diz o gerente-regional do Ibama.

Durante esse período, os técnicos não voltaram ao parque: aguardavam por uma decisão de Brasília. Sem ela, afirma George, nada poderia ser feito, já que seria necessária uma intervenção no parque.
Na inspeção feita em dezembro, os técnicos do Ibama já haviam detectado a falta de alimentos e a má condição de algumas jaulas, o que levou à interdição do zoológico. Dois meses depois, após nova visita de inspeção, o parque foi autorizado a reabrir as portas.

Polícia levou 20 dias para agir, diz veterinário

Denúncia de que ex-dono contrabandeava pedras é investigada

Além do Ibama, a Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Civil e até a Polícia Federal sabiam há pelo menos 20 dias que animais estavam morrendo de fome no Bwana Park. Foi o que afirmou ontem o veterinário e ex-funcionário do parque André Sena Maia, que prestou depoimento. Somente anteontem, após duas reportagens do jornal, a polícia fez uma blitz e interditou o Bwana.

Os 103 cadáveres e cabeças de animais encontrados anteontem durante a blitz serão necropsiados no Laboratório de Biologia Animal da Pesagro, para onde foram levados ontem. Segundo o Ibama, mais de 190 animais sobreviveram aos maus-tratos no Bwana Park, como jabutis, emas, chipanzés, babuínos, araras, tigres, onças, porcos-espinho, lontras, suçuaranas, patos, galinhas d’angola, cisnes, gansos e papagaios, entre outros.

Comida que chegou ontem só é suficiente para 5 dias

Os animais que restaram começaram ontem a ser alimentados pelo zoológico de Niterói. Ontem chegaram 245 quilos de ração, 150 quilos de carne e 20 caixas de verduras e frutas. O novo gerente-geral do Bwana Park, Daniel Antoine Marmy, disse, no entanto, que os alimentos só serão suficientes para cinco dias. Ele foi gerente do parque em três ocasiões, inclusive em dezembro, quando o parque foi interditado, sendo reaberto dois meses depois.

Além do veterinário André e de Daniel Antoine – que apenas confirmou a situação precária do parque ao se afastar dele, após o carnaval – o delegado Arthur Cabral, da Delegacia de Meio Ambiente, também ouviu ontem o publicitário Eduardo Henrique Leal, que assumiu a área do parque para montar um clube de hedonismo. Eduardo disse que Eliete Vieira dos Santos, e não ele, era responsável pelo zoológico. Ela ainda vai depor. O delegado investiga também uma denúncia de que o suíço fundador do Bwana, Werner Erwin Meier, morto em abril, contrabandeava pedras semi-preciosas para a Europa.

Bwana Park pagou até salário com bichos

Nota fiscal revela que administrador passou ilegalmente dois chimpanzés para seu nome

Os proprietários do Bwana Park venderam um casal de chimpanzés por R$ 12.500 para o administrador do zoológico Daniel Antoine Marmy para quitar uma dívida com ele. Conforme revela uma nota fiscal obtida pelo jornal, o documento foi preenchido em 15 de maio de 2000, quando o parque era administrado por Eliete Vieira dos Santos, ex-companheira do suíço fundador do Bwana, Werner Erwin Meier, morto em abril passado. O uso de animais do parque nesse tipo de transação é considerada ilegal pelo Ibama. Além disso, os chimpanzés não eram nascidos em cativeiro, o que, pela legislação brasileira, impede sua negociação.

Mesmo conhecendo a legislação, o administrador do Bwana aceitou receber os chimpanzés em troca da dívida. Ele dá valores diferentes dos que constam na nota fiscal.

– O parque me devia R$ 40 mil de salário. Fizemos a transação. Recebi os dois chimpanzés como forma de pagamento da dívida – admitiu.
Pelo documento, que está em nome de Daniel Antoine, os animais custaram ao parque R$ 12.500. Ele próprio, antes de ser informado sobre a nota, explicara as exigências legais para se vender um animal silvestre:

– Pela leis, só podemos vender um animal se ele for nascido em cativeiro.

O casal de chimpanzés Judi e Tata – nomes fornecidos por Daniel – foram trazidos por Werner da Suíça na época da fundação do Bwana, em 1994. Meier se afastou da administração do parque em março, 19 dias antes de ser encontrado morto dentro de seu carro, na Avenida das Américas.

Segundo a diretora de Fauna e Flora do Ibama, Beatriz Braga, a legislação só permite a comercialização de animais exóticos comprovadamente nascidos em cativeiro nas dependências de um parque ou zoológico ou sua importação legalizada, ou seja, diretamente de outro país. De acordo com Beatriz, a negociação de animais fora desses dois critérios é proibida.

– A venda não pode ser feita de um parque a outro de qualquer maneira. O animal tem que ficar no lugar que o comprou. Não é uma mercadoria – explicou a diretora do Ibama.

Segundo Daniel Antoine, Judi e Tata permanecem no Bwana. Só que agora em seu nome. Ele, no entanto, não conseguiu ainda a regularização dos animais junto ao Ibama.

– O processo é muito demorado. Estou aguardando a resposta do órgão – alegou.

Daniel Antoine e o veterinário André Sena Maia executavam atividades paralelas além de administrar o Bwana Park no ano passado. Os dois intermediavam para criadores de animais silvestres e exóticos a legalização de abrigo para os bichos.

Em outros documentos a que o jornal teve acesso, os dois tinham um contrato de cobrar por esses serviços. Vários criadores no Rio contraramcontrataram os serviços dos dois. A atividade, segundo Beatriz Braga, é legal.

A Delegacia de Proteção contra o Meio Ambiente indiciou ontem Vera Lúcia de Oliveira e Eduardo Henrique Leal. Os dois, segundo o delegado Arthur Cabral, são donos do parque desde 1º de abril deste ano, data em que assinaram um contrata com Eliete Santos. Ela cedeu a área do parque para que Eduardo fundasse um clube de hedonismo. Vera Lúcia é mulher de Daniel Antoine, que na quarta-feira se apresentou como o novo administrador do parque. – Serão todos indiciados e vão responder por crime de maus-tratos – disse o delegado.

A comissão Ibama que vai investigar o caso Bwana Park desembarcou ontem à noite no Rio. O presidente do órgão, Hamilton Casara, determinou inquérito para apurar negligência de funcionários do Ibama na fiscalização do parque. Casara disse que a comissão vai investigar porque os funcionários do Ibama no Rio não tomaram, três meses atrás, providências imediatas para resolver o problema dos maus-tratos aos animais. A comissão visitará hoje o Bwana Park.

Bwana tinha sala de empalhamento

Ibama descobre ainda tonéis com pedras semipreciosas no parque

Numa inspeção ao Bwana Park, ontem de manhã, o presidente do Ibama, Hamilton Casara, viu de perto a série de irregularidades que o órgão federal não foi capaz de detectar em seis anos de funcionamento do parque. De todas, a que mais impressionou Casara foi a descoberta de uma sala de empalhamento de animais, além de mais de dez tonéis contendo pedras semipreciosas. Segundo Casara, desde 1995, quando o suíço Werner Erwin Meier deu entrada no processo de criação do zoológico, há irregularidades na documentação, mas até hoje o Ibama nada fez para corrigi-las.

– Uma sindicância interna do Ibama está apurando essas irregularidades
– disse Casara, citando a falta de indicação de técnicos responsáveis pelos animais como uma delas.

Animais e pedras poderiam estar sendo traficados

A sala encontrada no parque pela equipe do Ibama, por policiais civis e por agentes da Polícia Federal fica nos fundos do parque. Nela havia um macaco empalhado, além de muitas pedras semipreciosas lapidadas.
Num pátio ao lado, os fiscais descobriram mais de dez tonéis contendo pedras e cristais semilapidados, prontos, segundo Casara, para serem usados como adorno nos animais empalhados.

Segundo o delegado Arthur Cabral, da Delegacia de Proteção do Meio Ambiente, a descoberta será encaminhada à Delegacia de Homicídios, que investiga a morte suspeita do suíço. Para Cabral, ela pode estar relacionada ao tráfico internacional de animais empalhados ou de pedras. Os policiais civis disseram que os antigos donos do parque não tinham autorização da Feema nem do Departamento Nacional de Produção Mineral para guardar, extrair ou negociar rochas.

Na sala da clínica veterinária também havia cinco animais empalhados, entre eles um macaco e uma arara.

– Eles não tinham autorização para empalhar animais. Isso é ilegal – disse o presidente do Ibama.

PF suspeita que bichos nos freezers seriam empalhados

A Polícia Federal também está investigando a possível ligação entre a morte de Meier e o tráfico de drogas, de animais ou pedras. Agentes suspeitam, inclusive, do uso dos animais empalhados no envio de drogas para o exterior.

Atual gerente do parque, o suíço Daniel Marmy, afirmou que as 103 carcaças encontradas na quarta-feira não tinham destino certo.

Segundo ele, os veterinários não sabiam o que fazer com os corpos dos animais e, por isso, eram mantidos nos freezers. A PF suspeita que eles também seriam empalhados.

Casara foi taxativo sobre o futuro do Bwana Park:

– O Ibama cancelou a autorização de funcionamento em caráter permanente desde o último dia 15. Os animais estão confiscados e o Ibama assume a administração até que a nossa equipe de biólogos e veterinários decida seu destino. Eles poderão ser transferidos para o RioZôo ou universidades.

Ontem à tarde, 12 seguranças armados, contratados pelo Ibama, ocuparam o Bwana Park.

Ibama liberou Bwana quando bichos já morriam

Laudos de necropsia desmentem dona do parque

Os fiscais do Ibama que vistoriaram o Bwana Park em dezembro do ano passado ignoraram a presença de cadáveres de animais dentro de freezeres. Em depoimento ontem na Delegacia de Proteção do Meio Ambiente, a proprietária do zoológico admitiu que animais já vinham morrendo há cerca de um ano.

Eliete Vieira dos Santos acusou os veterinários André Sena e Ricardo Cristali de não terem informado à direção do parque a causa da morte dos animais.

– Os bichos começaram a morrer há cerca de um ano e iam para o freezer, como é o procedimento pedido pelo Ibama. Em nenhum momento fui informada do que estava matando os animais – disse Eliete.

O jornal obteve ontem, no entanto, laudos de necropsia protocolados no Ibama. A assinatura de Eliete aparece em pelo menos seis documentos. Os papéis indicam a causa da morte dos bichos: alimentação não balanceada e insuficiente. Mesmo tendo conhecimento do problema, o Ibama voltou a liberar o funcionamento do parque em fevereiro deste ano.

O presidente do Ibama, Carlos Henrique Abreu, disse que o caso será levado à sindicância que apura a relação entre os fiscais e a diretoria do parque.

Veterinário diz que Ibama sabia de mortes de animais

Bwana Park teria deixado de comprar comida em abril

Apontado pela polícia como uma das principais testemunhas do caso Bwana Park, o veterinário Ricardo Cristalli foi localizado ontem pelo jornal e afirmou que a proprietária do zoológico, Elite Vieira dos Santos, deixou de comprar comida para os animais após a morte do suíço Werner Meier, em abril. Cristalli foi o último veterinário a trabalhar no parque, de janeiro a junho deste ano. Ele disse que o Ibama vinha recebendo há sete meses cópia das necropsias feitas nas carcaças dos animais mortos. O veterinário disse ainda que pediu demissão do parque porque não tinha condições de trabalho.

Cinco animais que resistiram ao abandono no Bwana foram transferidos ontem para criadouros comerciais e científicos. O Ibama aguarda a recuperação de outros 212 bichos para que também possam ser transferidos.

Laudo comprova que leoa passava fome

Animal, que morreu há um mês no Bwana Park, tinha baixa resistência e problemas nutricionais

O laudo de necropsia da leoa que morreu no Bwana Park há cerca de um mês comprova que o animal apresentava baixa resistência e problemas nutricionais. O exame foi divulgado ontem pela Universidade Estácio de Sá, que recebeu o cadáver no dia 21 de julho. O animal foi um dos últimos a morrer no zoológico antes da vistoria do Ibama e da Delegacia de Proteção do Meio Ambiente na semana passada. Dias antes, o jornal havia noticiado a morte suspeita da leoa. Na blitz no Bwana, os fiscais encontraram 103 animais mortos dentro de freezeres do parque.

O laudo foi assinado pelo veterinário Bernardo Melo. Para o delgado Arthur Cabral, o exame é mais uma prova de que os todos os bichos vinham sofrendo maus-tratos no Bwana Park.

Três pessoas prestam depoimento na delegacia

Ontem, foram ouvidas na delegacia mais três pessoas envolvidas no caso Bwana Park. Cláudia da Silva Pereira disse que seu ex-companheiro e fundador do Bwana, Werner Meier, vinha recebendo telefonemas anônimos e que, dias antes de aparecer morto, ele teria recebido ameaças de Eliete Vieira dos Santos, com quem vivera por quase oito meses.

Segundo a polícia, Daniel Marmy, administrador do parque, poderá ser o sétimo a ser indiciado neste caso. Ele deverá responder por apropriação indébita. Há uma semana, o jornal mostrou que Daniel havia assinado uma nota fiscal repassando para o seu nome dois chimpanzés do Bwana. Policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente pediram informações à Receita Federal porque descobriram que Marmy tem dois números de CPF.

Bichos do Bwana tinham desnutrição profunda

Laudo da necropsia será divulgado hoje e deverá confirmar que animais não recebiam alimentação adequada

Os 103 animais mortos encontrados dentro de freezers no Bwana Park, em Guaratiba, no mês passado, estavam com caquexia, ou seja, em estado de desnutrição profunda. O laudo da necropsia feito pela Secretaria estadual de Agricultura, que será divulgado hoje, deverá confirmar que os bichos não estavam sendo alimentados adequadamente. Isso levou à subnutrição e consequentemente à morte de aves, répteis e mamíferos.

Veterinários da Pesagro, empresa que presta serviços à secretaria, estão também concluindo testes bacteriológicos em alguns animais. De acordo com uma fonte da secretaria, o exame dirá se os donos do Bwana Park deixaram de alimentar esses animais ou se foram os bichos que se recusaram a comer devido a alguma doença que provocou falta de apetite:.

– Por enquanto está confirmado que muitos animais não foram alimentados como deveriam ser. Faremos o estudo complementar, que vai dizer se alguns bichos tinham algum mal que se generalizou fazendo com que perdessem a vontade de comer. Mesmo que encontremos alguma doença, está provado que houve maus-tratos. A direção do parque deveria ter tomado alguma atitude anteriormente.

Algumas aves tinham areia no estômago

Ainda de acordo com a mesma fonte, todos os bichos estavam extremamentes magros.

– Os saguis e as araras foram os que nos chamaram mais a atenção. Eles estavam excessivamente magros. Encontramos areia no estômago de algumas aves – disse, acrescentando que esse fato mostra como os animais estavam famintos.

Os cadáveres dos animais foram descobertos depois que o jornal publicou reportagem sobre a morte de uma leoa no fim de julho no Bwana. O laudo de necropsia do felino, feito pela Universidade Estácio de Sá, confirmou que o animal estava desnutrido. Dois dias depois, a Delegacia de Meio Ambiente e o Ibama foram ao parque e descobriram os cadáveres dos 103 bichos. Em depoimento à polícia, uma das testemunhas afirmou que os felinos do Bwana estavam sendo alimentados com apenas quatro quilos de carne por semana, quando o normal são 15 quilos.

Delegacia de Meio Ambiente ajuda comissão do Ibama

Os veterinários da Secretaria de Agricultura ainda não descobriram há quanto tempo os bichos encontrados nos freezers haviam morrido.

Os cerca de 190 animais sobreviventes do Bwana Park também estão sendo examinados. Veterinários do Ibama coletaram amostras de sangue para descobrir se os bichos estão doentes.

A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente repassou informações à comissão do Ibama que investiga a relação dos fiscais do órgão com a administração do Bwana Park. A comissão quer saber se os funcionários sabiam das mortes no zoológico e, se sabiam, por que não interditaram imediatamente o parque. Pelo menos sete pessoas deverão ser indiciadas por maus-tratos.

No ano passado, 382 mortes no parque

Pelo menos 382 aves, répteis e mamíferos morreram no Bwana Park no ano passado. A quantidade é quase quatro vezes maior que o número de cadáveres de bichos encontrados no parque em agosto, dentro de freezers. As mortes ocorridas em 2000 no Bwana são de bichos que foram apreendidos e encaminhados para o parque por fiscais do Ibama, do Instituto Estadual de Florestas(IEF) e pelas delegacias de polícia, após operações de combate ao tráfico de animais. Nos zoológicos de Niterói e do Rio, 377 aves também morreram.

O Ibama poderia reduzir o número de mortes de bichos apreendidos se já tivesse inaugurado o seu Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). O centro começou a ser construído em 1999, em Seropédica, já consumiu cerca de R$ 100 mil, mas até hoje não foi aberto. Ele funcionaria como uma UTI, onde veterinários e biólogos prestariam os primeiros socorros aos bichos, já que eles, ao serem apreendidos, costumam estar bastante debilitados por causa dos maus-tratos sofridos nas mãos dos traficantes.

Sem o Cetas, aves, répteis e mamíferos são enviados para os zoológicos. Dez estados já têm centros de triagem e o percentual de mortes varia entre 10% e 20%.

– É inadmissível que o Rio não tenha um programa específico de recuperação dos bichos apreendidos – diz Ã’ngela Maria Branco, coordenadora do Programa de Manejo de Animais da prefeitura de São Paulo, que existe desde 1993.

Em Niterói, dos 1.070 animais que foram apreendidos no ano passado, 30% morreram. Este ano, das 478 aves capturadas durante uma blitz da delegacia de Honório Gurgel, 46% morreram.

O Zoológico do Rio, que ficou sete meses de 2000 sem receber animais porque passava por obras, acolheu no ano passado 229 aves. Dessas, 68 não resistiram.

Em Camaçari, na Bahia, o Cetas foi inaugurado em 1997 e já recebeu cerca de 12 mil animais. A maioria (80%) foi salva e reintegrada à natureza.

O presidente do Ibama, Carlos Henrique de Abreu, admite que a falta de um Cetas prejudica o trabalho de fiscalização.

– O centro é uma das etapas do programa de combate ao tráfico de animais. Já estamos concluindo as negociações para inaugurar o do Rio até o final do ano.

Bwana Park: comissão do Ibama acusa fiscais

Laudo dos animais mortos é enviado ao Ministério da Agricultura, mas serão feitos exames complementares

A comissão de sindicância do Ibama em Brasília decidiu ontem pedir a abertura de processo disciplinar administrativo contra três funcionários do órgão no Rio. A comissão concluiu que os fiscais, entre eles a ex-gerente do Ibama/RJ Taís Salmito, deveriam ter pedido a transferência imediata dos bichos do Bwana Park em maio deste ano, quando foram informados de que os animais não estavam sendo alimentados adequadamente.

O Ibama só retornou ao parque em agosto passado depois que o jornal publicou reportagem denunciando a morte de animais no zoológico. Durante a vistoria, os fiscais encontraram 103 cadáveres de bichos dentro de freezers no Bwana.

Segundo o presidente da comissão, José Batista Lima, os funcionários do Ibama/RJ tinham poderes para pedir a transferência dos animais sobreviventes antes da conclusão do processo que tramitava no Ibama em Brasília, que iria decidir o destino no parque. Em dezembro do ano passado, o zoológico havia sido fechado por causa das péssimas condições de alojamento dos bichos, mas foi reaberto em março por autorização do Ibama.

– Os fiscais receberam as primeiras denúncias em maio. Eles deveriam ter pedido a transferência imediata dos animais, já que tinham poderes para isso. Não era preciso esperar uma resposta de Brasília para fazer a mudança dos bichos – afirmou Lima.

Fiscais podem ser suspensos das funções

O parecer da comissão será encaminhado ao presidente do Ibama, Hamilton Casara. Ele vai decidir se aceita ou não o pedido de abertura de processo disciplinar. Segundo Batista Lima, os outros dois funcionários acusados de negligência são Beatriz Braga e George Guimarães. Caso Casara aceite o parecer, os fiscais ainda poderão apresentar defesa. Se forem condenados, eles poderão ser suspensos temporariamente de suas funções.

O laudo de necropsia dos 103 animais do Bwana foi enviado ontem pelo laboratório da Pesagro para o Ministério da Agricultura. Os técnicos adiaram a conclusão do processo, mas confirmaram que os bichos não estavam sendo alimentados adequadamente, como antecipou semana passada reportagem do jornal.

Os veterinários solicitaram mais três exames complementares ao laboratório. Serão feitos análises bacteriológicas, de virologia e histopatologia. A intenção é verificar se os animais desenvolveram algum tipo de doença durante o tempo de permanência no parque. O resultado dos exames deve ser divulgado somente na primeira quinzena de outubro.

Bichos do Bwana causam problemas ao zôo

Dez felinos transferidos se recuperam, mas provocam superlotação e aumentam despesas da instituição em 9%

Com 30 quilos a mais, uma capa de gordura escondendo os ossos e o ferimento numa das patas traseiras praticamente curado, um dos três tigres siberianos recolhidos no Bwana Park, em Guaratiba, em agosto do ano passado, pouco lembra o esquálido animal que sofria maus-tratos no parque. Sob os cuidados de veterinários e biólogos da Fundação RioZôo, os dez mamíferos selvagens levados para o Zoológico do Rio já estão quase recuperados. No entanto, criaram um outro problema: a superlotação de felinos no zôo.

Segundo a presidente da Fundação RioZôo, Carolina Levy Ibarra, o Zoológico do Rio não tem condições de abrigar mais tigres, leões, linces, onças e suçuaranas.

– Infelizmente, o zoológico está com toda a sua área de 113 mil metros quadrados ocupada. Não temos para onde crescer – disse ela.

Zoológico do Rio abriga 2.300 bichos

– Não podemos comprometer a qualidade do nosso trabalho. É um risco pôr estes animais em recintos menores. Eles precisam de espaço – disse o gerente de veterinária do zôo, Luiz Paulo Fedullo.

Além da falta de espaço, a chegada dos felinos do Bwana aumentou em 9% as despesas do zoológico, que é mantido com verbas da prefeitura (52% do dinheiro) e recursos provenientes da venda de ingressos (48%). A fundação recebeu do Ibama três tigres siberianos, um leão, duas suçuaranas, duas onças-pintadas e dois linces.

Um leão, por exemplo, come 126 quilos de carne por mês, o que corresponde a R$ 366. Ainda há gastos com veterinários, infra-estrutura e remédios. Como são animais de grande porte e a maioria é velha, não existe interesse por parte de outros zoológicos e criadouros autorizados em ficar com os felinos.

O animal que se recuperou mais rapidamente foi o jovem tigre siberiano de 5 anos. Gordo, pesando cerca de 180 quilos e com pêlo bem tratado, ele chega a ser dócil com o gerente da veterinária do zôo. O tigre, que chegou ao zôo com um quadro profundo de desnutrição, deverá ser o primeiro a ser exposto. Os animais estão num recinto criado para abrigar bichos estressados, no período do descanso reprodutivo ou doentes.

O Bwana Park foi interditado em agosto passado, quando fiscais do Ibama encontraram no local 103 cadáveres e cabeças de animais. Uma necropsia mostrou que os bichos sofriam de desnutrição profunda.

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18/08/2001

Bwana Park pode ter sido usado para encobrir contrabando

da Folha Online

O presidente do Ibama, Hamilton Casara, órgão que assumiu hoje a administração do Bwana Park, na zona oeste do Rio, suspeita que o parque pode ter sido usado com fachada pelos proprietários para encobrir a prática de atividades ilegais.

Foram encontradas hoje, em uma sala trancada, pedras semipreciosas e um possível laboratório de empalhamento de animais. “A primeira impressão nos permite levantar, no mínimo, a suspeita de contrabando”, afirmou Casara.

Segundo o presidente do Ibama, o delegado Arthur Cabral, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, pedirá amanhã a prisão temporária da herdeira do parque, Eliete Vieira da Silva, caso ela não se apresente.

O Ibama abriu uma sindicância interna para apurar os responsáveis pela omissão na fiscalização do parque. Os primeiros resultado vão sair na próxima semana.

Na semana passada, foram encontrados em um congelador do parque 103 animais mortos. O Bwana Park foi fechado e os 200 animais que ainda vivem lá foram confiscados.

Um filhote de macaco e uma arara estão sendo atendidos em uma clínica veterinária particular e uma equipe do Ibama está tratando dos outros animais.

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