ANIMAIS VENENOSOS: COMO SE PREVENIR CONTRA ACIDENTES

 

Texto: Luiz Octavio Pires Leal

Segundo Claudio Machado, biólogo Chefe da Divisão de Herpetologia do Instituto Vital Brazil, animais peçonhentos são aqueles que possuem uma substância tóxica produzida por glândulas no seu corpo e que têm alguma estrutura que permite a inoculação dessa toxina em outro animal. No caso das serpentes são os dentes inoculadores e no caso das aranhas e escorpiões são as quelíceras. Os animais venenosos também possuem uma substância tóxica, mas não possuem uma estrutura inoculadora, como é o caso do sapo. Apesar de existir essa diferença de conceito biologicamente falando, os termos “animal peçonhento” e “animal venenoso” são tratados como sinônimos.

Com relação aos efeitos causados pelo veneno na vítima, não faz diferença se o animal é peçonhento ou venenoso, o que influencia é o tipo e a quantidade de veneno, o peso e as condições de saúde da vítima e o modo como ela reage.

No caso dos humanos, quando acontece um acidente com um animal venenoso ou peçonhento é importante, apesar de difícil, não entrar em pânico e procurar manter a calma, porque a agitação provoca a aceleração  dos   batimentos cardíacos e consequentemente a disseminação mais rápida do veneno.

Embora seja importante, manter a calma só não basta, é preciso saber como agir, e segundo o IVB, sediado em Niterói e especialista no assunto, é imprescindível que o tratamento seja rápido e realizado por profissionais de saúde qualificados, em unidades de atendimento médico especializadas.

Segundo o IVB, atualmente no Brasil, os escorpiões são os maiores causadores de acidentes, seguidos das serpentes e depois das aranhas.

Há tempo são divulgadas informações sobre as características erradamente consideradas úteis para identificar as cobras venenosas. Essas características (cabeça triangular, cauda afinando rapidamente, formato da pupila e tamanho das escamas no alto da cabeça) não são, obrigatoriamente, válidas para saber se determinada cobra é venenosa ou não. “A característica que deve ser observada” – ressalta o IVB – “é a presença da fosseta loreal (orifício entre o olho e a narina) existente em todas as serpentes peçonhentas das Américas, com exceção das corais verdadeiras”. Mas é praticamente impossível para uma pessoa comum, principalmente numa hora de sufoco, examinar a cobra para ver se ela tem um buraquinho minúsculo entre os olhos e a narina.



Seguem algumas dicas sobre como agir em caso de acidentes com alguns animais venenosos e peçonhentos:

Primeiro é bom saber quais são as cobras venenosas mais comuns:

• Cascavel

• Coral Verdadeira

• Jararaca

• Jararacuçu

• Surucucu Pico de Jaca

Apesar de não terem veneno, as seguintes cobras podem morder, principalmente quando pisadas ou se sentirem ameaçadas, causando inchaços, queimação, tétano e várias infecções, além de dor:

• Caninana

• Cobra Cipó

• Cobra d´Água

• Cobra Papagaio

• Cobra Verde

• Falsa Coral

• Jiboia

• Sucuri

A jiboia e a sucuri são cobras constritoras e a sucuri, que pode atingir quatro metros de comprimento ou mais, representa um perigo como animal de estimação, pois facilmente pode enrolar-se no pescoço ou tórax de uma criança ou mesmo de um adulto e apertar com uma força brutal, estraçalhando os ossos e matando por sufocação. Apesar disso, a crença de que a sucuri pode engolir um boi, segundo o IVB, é um mito, pois não existe registro dessa prática.

As providências recomendadas pelos especialistas do Instituto Vital Brazil em caso de acidente com cobra são:

1. Lavar o local da picada com água e sabão.

2. Manter o acidentado em repouso. Se a picada for no braço ou na perna, essas extremidades devem ficar levantadas.

3. Levar o acidentado, imediatamente, para o posto de saúde ou hospital mais próximo.

4. Preferencialmente, matar e levar a cobra junto com o acidentado ou faça a sua descrição para o médico.

 

NÃO amarrar ou fazer torniquete. O garrote impede a circulação do sangue, piorando a situação. Não colocar folhas, pó de café ou quaisquer outras substâncias no local da picada, pois podem provocar infecção.

NÃO fazer cortes no local da picada, pois, somados aos efeitos do veneno, podem produzir hemorragias e infecções.

NÃO dar para beber álcool ou querosene etc., pois, além de não ajudar, podem produzir intoxicação.

 

  

  

 

SOROS

Os diversos tipos de veneno podem produzir, nos acidentados, diversos tipos de problemas, como: hemorragia, paralisia e morte (necrose) de diversas partes do corpo.

São os seguintes os tipos de soro produzidos pelo Instituto Vital Brazil e distribuídos pelos diversos postos de atendimento:

Antibotrópico – contra os venenos das jararacas, incluindo as jararacuçus, urutus, caiçaras e jararacas pintadas.

Anticrotálico – contra o veneno da cascavel.

Antielapídico – contra o veneno da cobra coral verdadeira.

Antilaquético – contra o veneno da surucucu.

Antibotrópico-Laquético – contra o veneno das jararacas e surucucu.

Antibotrópico-Crotálico – contra o veneno das jararacas e cascavel.

Antilatrodéctico – contra o veneno da aranha viúva-negra.

Antiloxoscélico – contra o veneno da aranha marrom, que vive debaixo de pedras, cascas de árvores, buracos e também nas residências.

Antiaracnídico – contra o veneno da aranha armadeira, que vive em plantas com folhas largas (bananeiras, por exemplo) em regiões urbanas.

Antiescorpiônico – contra o veneno do escorpião amarelo, que vive embaixo de pedras, cascas de árvores e barrancos.

Para os casos de acidentes com a aranha caranguejeira e a lacraia não há necessidade de soro.

 

 

 

Medidas de proteção

Dentre as várias medidas de proteção para evitar ser picado por um animal venenoso, as seguintes merecem destaque:

• Usar botas de cano longo e roupa de tecido resistente e grosso quando for entrar em alguma mata.

• Muita atenção no lugar em que está pisando.

• Atenção com as árvores – pode haver uma cobra ou aranha por perto.

• Muita atenção ao remexer entulho e pedras soltas. Use luvas grossas.

• Não entrar em matas desconhecidas a não ser que seja absolutamente necessário.

• Atenção quando parar o carro num acostamento. Pode haver cobra fugida de queimada ou à procura de alimento.

• Combata os ratos, pois são alimentos de cobra.

• Muita atenção ao entrar num imóvel abandonado.

• Fique de olho ao deitar num gramado, porque pode ter aranha.

Para cães e gatos, existem soros especiais, aplicados por médicos veterinários. Esses soros não são fabricados pelo Instituto Vital Brazil.

 

“Atenção quando parar o carro num acostamento.

Pode ter cobra fugida de queimada ou à procura de alimento.”

 

 

 

 

Fotos: André Gustavo

 

 

Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Add a Facebook Comment

Uma resposta para ANIMAIS VENENOSOS: COMO SE PREVENIR CONTRA ACIDENTES

  1. Bom, não concordo que seja necessário matar a cobra… Pode-se capturar e levar ao hospital… Mas como o texto não é meu, não posso modificá-lo….mas cabe a observação!

Deixe uma resposta